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Chapo pede apoio de Portugal para renovar parceria da União Europeia no combate ao terrorismo

O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou ontem, em Lisboa, ao apoio de Portugal para mobilizar os Estados-membros da União Europeia em favor da renovação, por mais dois anos, do acordo de assistência ao combate ao terrorismo em Cabo Delgado, defendendo que a estabilidade de Moçambique constitui um factor determinante para a segurança energética mundial.

O Chefe do Estado falava à imprensa após o encontro com o Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar Branco, realizado no âmbito da sua Visita Oficial ao país.

Daniel Chapo classificou a audiência como “bastante importante”, explicando que o diálogo incidiu sobre o aprofundamento da cooperação entre Moçambique e Portugal, com enfoque em quatro áreas prioritárias: o reforço das relações parlamentares, o Diálogo Nacional Inclusivo, o fortalecimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a situação de segurança em Cabo Delgado.

No plano parlamentar, o Presidente da República destacou a importância da cooperação entre as Assembleias da República de Moçambique e de Portugal, numa altura em que se aproxima a sessão das Assembleias Parlamentares da CPLP, em Angola.

“Sabem muito bem que Moçambique é um Estado de Direito Democrático, Portugal também. É preciso consolidarmos, portanto, a democracia em Portugal e a democracia em Moçambique”, afirmou. Relativamente ao processo político interno, o estadista moçambicano reiterou que o Diálogo Nacional Inclusivo decorre num ambiente de estabilidade e participação alargada da sociedade moçambicana.

“Deixámos de forma clara e inequívoca que Moçambique, neste momento, vive uma estabilidade política, económica e social e que está a decorrer a segunda fase do Diálogo Nacional Inclusivo”, declarou, acrescentando que o processo envolve partidos políticos, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e religiosos, associações juvenis e femininas, contando ainda com o apoio da União Europeia e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

No encontro, as duas partes analisaram igualmente os desafios que a CPLP enfrenta, em particular a situação política na Guiné-Bissau.

O Presidente moçambicano defendeu a necessidade de reforçar a coesão da organização, considerando que uma comunidade mais forte permitirá consolidar a cooperação multilateral, ao mesmo tempo que contribuirá para aprofundar as relações económicas e comerciais entre Moçambique e Portugal.

Grande parte da conversa incidiu, contudo, sobre a situação de segurança em Cabo Delgado e sobre a necessidade de assegurar a continuidade do apoio europeu ao combate ao terrorismo.

O Presidente da República explicou que o actual acordo entre Moçambique e a União Europeia está a chegar ao fim e defendeu a sua renovação, lembrando que, apesar dos avanços registados, persistem ataques esporádicos no norte da província que continuam a provocar deslocações de populações e necessidades de assistência humanitária.

“Gostaríamos que em Cabo Delgado houvesse paz e segurança, porque a paz em Cabo Delgado e a segurança em Cabo Delgado é a paz em Moçambique”, afirmou.

O Chefe do Estado sublinhou que a estabilidade da província é igualmente essencial para garantir um ambiente favorável ao investimento, recordando que a paz e a segurança são condições indispensáveis para fortalecer a confiança dos investidores e impulsionar o desenvolvimento económico do país.

Outrossim, o governante voltou a defender que os projectos de gás natural da Bacia do Rovuma transcendem o interesse nacional, por envolverem empresas de vários continentes e representarem uma importante fonte alternativa de abastecimento energético.

“É importante que o mundo perceba que a paz em Moçambique, a estabilidade política, económica e social em Moçambique, a segurança em Moçambique é a segurança energética do planeta Terra”, declarou. O Presidente da República concluiu afirmando que, perante os actuais conflitos internacionais, Moçambique assume um papel estratégico na diversificação das fontes globais de energia.

“Moçambique é uma das grandes alternativas para fornecer o gás ao mundo e também uma das grandes alternativas para a segurança energética mundial”, disse, manifestando confiança de que Portugal continuará a defender, junto da União Europeia, a renovação do apoio ao combate ao terrorismo, contribuindo para consolidar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento do país.

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