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Comissões eleitorais da SADC discutem inteligência artificial em Maputo

Moçambique assumiu o centro das atenções regionais ao acolher, entre os dias 23 e 27 de Agosto de 2026, a Reunião do Comité Executivo do Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (ECF-SADC). O encontro, que decorre em Maputo, reúne líderes e peritos eleitorais para traçar o rumo da governação democrática e da administração de votos na África Austral.

Com o avanço acelerado da tecnologia, o evento colocou em cima da mesa um tema premente: o impacto da Inteligência Artificial (IA) e da governação de dados nos processos eleitorais.

Se por um lado a IA abre portas para modernizar o registo de eleitores, optimizar a comunicação e identificar falhas operacionais, por outro acende luzes vermelhas. Os peritos alertam para os perigos crescentes da desinformação digital, de conteúdos manipulados por deepfakes, do uso indevido de dados pessoais e da micro-segmentação política.

Diante deste cenário, a cúpula defende a criação urgente de moldes normativos e institucionais nos países africanos. O objectivo é garantir uma utilização ética, transparente e responsável da IA, blindando os direitos fundamentais dos cidadãos e a integridade das urnas.

Outro ponto nevrálgico debatido em Maputo prende-se com a protecção de dados sensíveis. A governação de dados foi apontada como um pilar estratégico para a soberania digital dos Estados africanos, com foco especial na segurança de bases de dados biométricos, cadernos eleitorais e sistemas informáticos.

O encontro reforçou o compromisso com os princípios da Carta Africana da Democracia, Eleições e Governação, além das directrizes da SADC e das Nações Unidas. Para os Estados-membros, o futuro da democracia na região passa inevitavelmente pela capacidade coletiva de conciliar a inovação tecnológica com a transparência, a inclusão e a confiança pública.

A reunião encerra com expectativas elevadas de que as deliberações sirvam para blindar as instituições democráticas e fortalecer os sistemas eleitorais de toda a região da SADC.

Imagem: DR

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