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Activistas moçambicanos e franceses protestam na França contra projecto Mphanda Nkuwa

Um grupo de activistas moçambicanos e representantes de ONG francesa e moçambicana protestaram em frente aos escritórios da EDF, em Paris, depois da empresa se ter recusado a recebê-los.

A empresa francesa de electricidade EDF recusou-se a receber representantes da ONG Justiça Ambiental e activistas moçambicanos que se deslocaram a Paris, a convite da ONG francesa CCFD-Terre Solidaire, para solicitar informações sobre o projecto de construção da barragem hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, no rio Zambeze, na província de Tete, no qual a empresa está envolvida. Perante a recusa, os activistas moçambicanos e representantes das  ONG protestaram esta quarta-feira (21), em frente aos escritórios da EDF.

“Não comemos barragens, comemos peixe!” e “Mphanda Nkuwa, não!”, foram algumas das frases escritas nos cartazes exibidos por representantes da ONG francesa CCFD-Terre Solidaire, da sua parceira moçambicana Justiça Ambiental, activistas e líderes comunitários, durante a acção de protesto diante dos escritórios da EDF, em Paris

De acordo com uma publicação da RFI, representantes da ONG Justiça Ambiental, líderes comunitários e activistas estão em Paris para informar a sociedade civil francesa sobre os perigos que representa o projecto da barragem hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, para Moçambique, a deslocação prevê igualmente encontros com parlamentares franceses.

A Justiça Ambiental solicitou inicialmente uma reunião com a EDF, na qual pretendia fazer-se acompanhar por representantes das comunidades afectadas, mas a empresa recusou recebê-los. Segundo a organização, apesar de ter insistido na reunião, explicando que continuava sem obter respostas em Moçambique, a EDF remeteu-a para o novo consórcio – que incluiu – a EDF , Cahora Bassa e a empresa de electricidade moçambicana- responsável pelo desenvolvimento do projecto.

Alex Chipissane Thaulo, líder da comunidade de Ntepe, que será afectada pelo projecto, explica que se deslocou a Paris para transmitir à EDF uma mensagem clara: em Moçambique, não há lugar para a barragem de Mphanda Nkuwa.

A activista moçambicana e directora da Justiça Ambiental, Anabela Lemos, considera que o silêncio da EDF revela que a própria empresa não dispõe de informação suficiente sobre os impactos da construção da barragem.

“A EDF não quer encarar a realidade. Ignorar é mais fácil. Está sempre a transferir a responsabilidade para o novo consórcio que iremos agora contactar para pedir as informações de que precisamos e perceber que estudos estão a ser realizados e em que ponto se encontra o projecto. Nós não sabemos nada e penso que eles sabem ainda menos”, explicou.

Charlotte Kreder, encarregada de missão para a África Austral e o Oceano Índico na CCFD-Terre Solidaire, considera que este silêncio é frequentemente característico deste tipo de projectos, que tendem a manter a informação pouco transparente, dificultando a mobilização das populações e a contestação informada das iniciativas.

“A EDF está sempre a remeter-nos para a equipa técnica, que se encontra em Moçambique. Os nossos parceiros tentaram reunir-se com essa equipa, mas não obtiveram qualquer resposta. Talvez o projecto da EDF não esteja completamente esclarecido. Esta é também uma característica deste tipo de projectos: manter a informação opaca, impedindo que as pessoas possam contestá-los devidamente”, referiu.

A barragem hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, localizada no rio Zambeze, na província de Tete, foi apresentada pelas autoridades moçambicanas como um projecto capaz de impulsionar a economia do país. No entanto, o megaprojecto suscita preocupações devido aos seus potenciais impactos ambientais e sociais, nomeadamente a deslocação de comunidades. Anabela Lemos alerta ainda para os riscos sísmicos, a produção de metano e as alterações climáticas, criticando a prioridade dada à exportação de energia, em detrimento das necessidades da população moçambicana.

 

(Foto DR)

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