A Embaixada dos Estados Unidos em Maputo vai deixar de processar vistos de turismo, negócios e imigração. A medida faz parte de uma reestruturação drástica da administração Trump, que reduziu de 50 para apenas 20 os postos consulares autorizados a emitir vistos em toda a África.
Os cidadãos moçambicanos que pretendem viajar para os Estados Unidos da América (EUA) vão passar a enfrentar sérios constrangimentos financeiros e logísticos já a partir deste mês de Junho. Uma nova directiva do Departamento de Estado norte-americano retirou à Embaixada dos EUA em Maputo a competência para processar vistos, centralizando as operações em centros regionais denominados hubs.
Com a nova reviravolta, quem vive em Moçambique e precisa de um visto terá, obrigatoriamente, de viajar para um país vizinho que tenha um dos 20 centros autorizados. Para o contexto geográfico de Moçambique, as opções mais viáveis e próximas passam a ser a África do Sul, através das cidades de Joanesburgo ou Cidade do Cabo, e Angola, por meio da capital, Luanda.
Segundo um memorando interno assinado pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, divulgado pela agência Associated Press, as embaixadas que perderam o estatuto de hub, como é o caso de Maputo, não vão fechar as portas, mas as suas secções consulares terão os serviços fortemente limitados.
A representação diplomática em Moçambique passará a garantir apenas a assistência e atendimento de emergências para cidadãos norte-americanos em solo moçambicano, a renovação de passaportes de cidadãos dos EUA e o processamento de vistos diplomáticos ou casos excepcionais de segurança nacional.
Para além das taxas consulares habituais, os requerentes moçambicanos terão agora de contabilizar custos elevados com passagens aéreas internacionais, alojamento e alimentação no estrangeiro apenas para comparecer à entrevista presencial e fazer a recolha de dados biométricos.
Esta decisão integra a política de imigração “América Primeiro” da administração de Donald Trump, focada em apertar o controlo fronteiriço, reduzir o volume de vistos concedidos a nível global e combater a permanência ilegal de estrangeiros após a caducidade dos vistos temporários. Dos cerca de 50 postos consulares que os EUA operavam no continente, a lista foi severamente reduzida.
Na região da África Austral, os únicos centros aprovados foram Joanesburgo e Cidade do Cabo, na África do Sul, e Luanda, em Angola. Para a África Oriental, o processamento fica concentrado em Nairobi no Quénia, Dar es Salaam na Tanzânia, Kampala no Uganda, Kigali na Ruanda, Addis Ababa na Etiópia e na cidade do Djibouti.
Nas regiões da África Ocidental e Central, os vistos serão tratados em Lagos na Nigéria, Accra no Gana, Abidjan na Costa do Marfim, Dakar no Senegal, Lomé no Togo, Monrovia na Libéria, Yaoundé nos Camarões, Kinshasa na República Democrática do Congo e Malabo na Guiné Equatorial. O plano fecha com as ilhas de Praia em Cabo Verde e Port Louis nas Maurícias.
A data exata para o início do novo modelo em Moçambique ainda não foi oficialmente divulgada pela representação diplomática local, mas fontes internas de Washington garantem que a transição está agendada para arrancar no decurso deste mês de Junho.
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