O activista dos direitos humanos e professor moçambicano, Adriano Nuvunga, dirigiu este domingo, 7 de Junho, uma carta pública ao Presidente da República de Moçambique. No documento, Nuvunga contesta as recentes declarações do Chefe de Estado sobre a Estrada Nacional Número Um (EN1) e exige uma verdadeira prestação de contas relativamente aos investimentos financeiros aplicados naquela que é a principal via rodoviária do país.
Durante a apresentação do informe anual sobre a EN1, o Presidente da República afirmou que “hoje a EN1 está melhor que ontem” e que a sua reabilitação decorre de forma discreta, sem publicidade ou triunfalismos. Contudo, na missiva enviada ao Executivo, o activista contrapõe esta visão oficial, alertando que a realidade vivida diariamente por milhões de moçambicanos continua a ser marcada pela forte degradação da via.
Segundo Nuvunga, a realidade observada no terreno contrasta drasticamente com os discursos políticos. Diversos troços da EN1 permanecem severamente danificados, apresentando buracos crónicos e um pavimento degradado que coloca em risco a segurança das populações e encarece o transporte de pessoas e bens de primeira necessidade.
“Os moçambicanos não avaliam a estrada pelos anúncios feitos, mas pela sua experiência diária, pelo estado da via que percorrem, pelos danos causados às suas viaturas, pelos atrasos que enfrentam e pelos riscos que são obrigados a assumir”, sublinha o activista no documento.
Apesar dos anúncios de vulto feitos ao longo dos últimos anos sobre a mobilização de recursos e investimentos significativos para a rodovia, o professor realça que os resultados visíveis não correspondem às expectativas da sociedade.
Para Nuvunga, o direito à informação e a transparência governamental devem sobrepor-se à propaganda institucional. Nesse sentido, a carta pública apela a que o Governo moçambicano esclareça os cidadãos sobre o valor exato que já foi investido financeiramente nas obras. É igualmente exigido que se tornem públicos os troços específicos que estão actualmente abrangidos pelas frentes de trabalho.
O activista insta ainda o Executivo a revelar os nomes das empresas contratadas e responsáveis pela execução das empreitadas. Adicionalmente, a sociedade exige conhecer o ponto de situação real do grau de execução física e financeira dos projectos, bem como os prazos concretos previstos para a conclusão definitiva das obras.
O documento termina com uma reflexão clara enviada ao Palácio da Ponta Vermelha: os anúncios institucionais não substituem os resultados práticos, sendo a experiência diária do cidadão no terreno o único indicador válido para determinar se a EN1 está, efectivamente, melhor do que no passado.
Imagem: DR