África deve investir na pesquisa em saúde para evitar dependência, defende Samo Gudo
O director-geral do Instituto Nacional de Saúde desafia o Governo e os países africanos a investirem na ciência, inovação e tecnologia para deixar de depender das potências mundiais para a produção de vacinas e outros medicamentos contra as doenças que afectam o continente.
Eduardo Samo Gudo falava nesta quinta-feira, em Maputo, durante uma mesa-redonda sobre liderança científica, financiamento e cooperação em saúde.
“Nós temos de investir na ciência, na inovação, no desenvolvimento tecnológico. Quando aparece uma doença nova, não podemos continuar à espera que seja o norte global, os países do ocidente, os países ricos, que desenvolvam o teste, o diagnóstico, desenvolvem o medicamento, o tratamento e desenvolvem a vacina para a prevenção”, disse Samo Gudo.
O responsável destacou a necessidade de começar a identificar “as nossas próprias soluções, queremos assegurar que possamos nos preparar, prevenir e ter capacidade para responder aos desafios actuais e futuros”, acrescentou.
Para o ex-director do Programa de Malária na Organização Mundial da Saúde, Pedro Alonso, o passo seguinte deve ser reconhecer que orçamentar a pesquisa é um investimento para o desenvolvimento.
“Tivemos a epidemia de Ébola em 2014, depois outra em 2018, e agora temos outra. Estamos sempre atrasados. E, para seguir em frente e gerar os produtos que nos permitam responder adequadamente aos novos desafios, no caso das doenças em emergência, precisamos de ter investimentos em avanço”, afirmou.
O debate girava em torno do tema “Liderança científica, financiamento e cooperação global face às ameaças emergentes” e ocorre no âmbito da celebração dos 30 anos do Centro de Investigação de Saúde de Manhiça.




