Albino Forquilha diz que teve a casa atacada e viaturas queimadas após acusações de Adriano Nuvunga

O presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha, considerou “branda” a sentença aplicada pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ao activista Adriano Nuvunga, condenado por calúnia e difamação. Nuvunga havia acusado o político de ter recebido 219 milhões de meticais para “vender a verdade eleitoral” das eleições de outubro de 2024.

Em conferência de imprensa realizada nesta quinta-feira, 4 de Junho, Forquilha desabafou sobre o impacto que as acusações tiveram na sua vida pessoal e familiar, revelando ter sido alvo de violentas represálias.

“A minha casa foi atacada duas vezes. Duas vezes seriamente. As viaturas foram queimadas”, revelou o líder político, visivelmente agastado.

Durante a sua alocução, Albino Forquilha explicou que o nível de hostilidade gerado pelas redes sociais e pelo debate público colocou a sua segurança em risco imediato. O político referiu que a sua família enfrentou um ambiente de terror, sublinhando que houve ameaças de morte e que iam matar a sua gente.

Para proteger os seus familiares, Forquilha viu-se obrigado a adotar uma rotina de clandestinidade. O líder do PODEMOS explicou que teve de mudar de residência, andar em vários carros de um lado para o outro e passar a sair apenas durante a noite.

Com algum sarcasmo, o presidente do PODEMOS explicou que chegou a inspeccionar o seu próprio património bancário após tomar conhecimento das alegações avançadas pelo director do CDD (Centro para o Desenvolvimento e Democracia).

“As minhas contas estão lá. Até porque eu não tenho muitas contas. Eu disse ao tribunal, agora eles podiam ir lá verificar (…). E eu próprio, quando ouvi isso, fui procurando as minhas contas para ver ‘mas será que alguém terá metido o dinheiro aqui e calhou, falhou?’, e não encontrei esse dinheiro.”

Para Albino Forquilha, a condenação de Adriano Nuvunga a 6 meses de prisão (convertidos em multa) e ao pagamento de uma indemnização de 1 milhão de meticais soube a pouco, tendo em conta as consequências sociais que as falsas informações provocam no país.

O político defendeu que a medida tomada pelo tribunal foi muito branda para efeitos de educação, traçando um paralelo com os conflitos que assolam outras regiões de Moçambique. Forquilha alertou que a situação é semelhante ao que se vê acontecer nas províncias, onde alguém semeia uma mentira qualquer e isso resulta na morte de pessoas.

O político terminou com um apelo directo aos profissionais de comunicação e aos cidadãos em geral sobre os limites da liberdade de expressão, afirmando que denunciar não significa publicar o que ainda não está concreto e que é preciso seriedade se o objectivo for construir um Estado de responsabilidade.

Imagem: DR

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