APSUSM exige demissão do Ministro da Saúde e denuncia mais de 2 mil mortes evitáveis por falta deedicamentos

O clima no sector da saúde em Moçambique atingiu um novo ponto de ruptura. A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) exigiu publicamente a demissão imediata do Ministro da Saúde, Ussene Isse, classificando a sua gestão como incompetente e prejudicial para o país. A forte contestação surge na sequência de denúncias graves que apontam para mais de duas mil mortes que poderiam ter sido evitadas, além da distribuição de medicamentos fora do prazo nas unidades sanitárias.

Em conferência de imprensa, o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, não poupou críticas à liderança do pelouro da saúde, acusando o ministério de ignorar os relatórios e os gritos de socorro dos profissionais que actuam na linha da frente.

De acordo com Muchave, o Governo tem falhado sistematicamente no cumprimento dos direitos básicos da classe, transformando obrigações legais em “esmolas”. O líder associativo exigiu a responsabilização imediata das autoridades perante o povo moçambicano e a comunidade internacional.

“A saúde não precisa de selfies, precisa de gestores que paguem o que a lei manda: subsídios de exclusividade, progressões na carreira, pagamento de horas extras e corte na continuação de estudos. Isso não é favor, isso é um direito. E o Governo transformou um direito em esmola”, desabafou Anselmo Muchave.

A agremiação aponta directas responsabilidades ao titular da pasta e contesta a falta de sensibilidade e de dados reais sobre o funcionamento dos hospitais distritais e provinciais, onde a população mais sofre com a falta de assistência.

A denúncia mais alarmante apresentada pela APSUSM diz respeito ao número de óbitos registados nos últimos meses devido a falhas logísticas e operacionais que paralisam o Sistema Nacional de Saúde.

“A APSUSM denuncia que desde Janeiro de 2026 registamos 2.173 mortes por doenças que em qualquer outro país seriam tratadas numa aldeia”, revelou o presidente da associação.

Segundo a denúncia, grande parte dos fármacos enviados para as províncias está no limite da validade ou já expirou. Muchave assegurou que existem medicamentos fora do prazo desde 2024 guardados nos armazéns, enquanto o Executivo continua a canalizar fundos para o pagamento de empresas privadas do sector.

Esta tomada de posição agrava significativamente a tensão entre os profissionais de saúde e o Executivo moçambicano, numa altura em que a pressão pública aumenta e a sociedade civil exige uma reestruturação profunda e urgente na liderança de um dos sectores mais vitais do país.

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