O Banco de Moçambique (BM) anunciou esta terça-feira, 23 de Junho, uma série de mudanças importantes no seu mecanismo de supervisão direta sobre o sistema financeiro nacional. O regulador liderado por Rogério Zandamela decidiu colocar novos inspetores residentes no Banco Internacional de Moçambique (BIM) e no Moza Banco, ao mesmo tempo que retirou a equipa de fiscalização permanente que operava no Access Bank Moçambique.
As decisões, tomadas no âmbito do acompanhamento contínuo às instituições de crédito do país, entram em vigor imediatamente nesta data.
Para o Banco Internacional de Moçambique (BIM), uma das maiores instituições bancárias comerciais do país, o banco central indicou a Senhora Amélia Josefina Manícua Sirage. Quadro sénior do próprio regulador, Sirage terá como missão principal monitorar o modelo de negócio e a estratégia da instituição, acompanhar e analisar os desenvolvimentos no sistema de gestão e de controlo interno, além de participar nas reuniões relevantes dos órgãos colegiais do banco.
Paralelamente, o Moza Banco passa também a contar com um novo inspetor residente. Trata-se do Senhor Hélder Manuel Chachuaio Muianga, que assume funções idênticas às de Amélia Sirage, com o objetivo de garantir o rigor e a conformidade das operações e da governação interna daquela instituição financeira.
Apesar da introdução destas medidas de fiscalização apertada, o Banco de Moçambique apressou-se a tranquilizar o mercado financeiro e os depositantes, emitindo notas de garantia em ambos os comunicados onde assegura que “não obstante esta acção de supervisão, o Banco Internacional de Moçambique e o Moza Banco continuam sólidos e estáveis”.
Em sentido inverso, o dia ficou marcado pela retirada da inspetora residente do Access Bank Moçambique, SA. A mesma Amélia Josefina Manícua Sirage, que agora ruma ao BIM, encontrava-se destacada no Access Bank desde o dia 27 de Setembro de 2023.
Segundo o comunicado oficial do regulador, a decisão de dar por finda esta missão deveu-se à “eficaz colaboração do Access Bank Moçambique, SA, bem como dos progressos significativos alcançados na governação e controlos internos da instituição”.
Com este recuo do BM, o Access Bank deixa de estar sob vigilância diária e personalizada, passando a estar sujeito apenas à “supervisão habitual, em conformidade com os procedimentos aplicáveis às demais instituições do sistema bancário nacional”.
As movimentações operadas pelo banco central refletem o esforço contínuo das autoridades reguladoras em manter a estabilidade do metical e assegurar um sistema financeiro sólido, transparente e inclusivo em Moçambique.