A Alta Comissária do Reino Unido em Moçambique, Helen Lewis, considera que as soluções de segurança, por si só, não acabarão com o conflito causado pelo terrorismo islâmico na província de Cabo Delgado, no norte do País.
Desde 2017, têm-se verificado ataques extremistas violentos em Cabo Delgado, onde pelo menos 6 200 pessoas foram mortas e mais de um milhão deslocadas. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), desde o início do conflito, mais de 1,3 milhões de pessoas em Moçambique foram deslocadas.
Segundo Lewis, citada num comunicado, durante a sua visita de trabalho a Pemba, capital de Cabo Delgado, é essencial uma resposta abrangente e integrada, liderada pelo Governo moçambicano, para abordar as causas profundas do conflito e alcançar uma paz duradoura.
“Reconhecemos que uma mudança sustentável exige ir além da ajuda humanitária e investir na governação responsável, no investimento e no envolvimento activo do sector privado. Queremos ver Cabo Delgado tornar-se um local onde o investimento flui, onde as empresas operam de forma responsável e onde as comunidades beneficiam do crescimento”, afirmou.
“É por isso que estamos a trabalhar directamente com o sector privado, nomeadamente através dos Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos”, acrescentou.
A situação humanitária em Cabo Delgado continua grave, com mais de dois milhões de pessoas afectadas pelo conflito e com necessidade urgente de assistência. Embora cerca de 500 mil pessoas tenham regressado às suas áreas de origem em 2024, muitas continuam dependentes de apoio humanitário devido à destruição generalizada de casas, terras e serviços essenciais.
O Reino Unido tem sido um parceiro humanitário consistente no norte de Moçambique, prestando ao Desenvolvimento principalmente através da ONU e de ONG locais e internacionais.
Desde 2022, o Reino Unido investiu mais de 20 milhões de libras (26,9 milhões de dólares) no apoio às pessoas afectadas pelo conflito, “alcançando mais de 150 000 pessoas por ano com acesso a alimentos, água, abrigo, cuidados de saúde básicos e protecção jurídica”.
Em Agosto passado, uma dotação de 4 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas “proporcionou assistência urgente em termos de alimentos, abrigo, proteção e serviços de água, saneamento e higiene (WASH) às pessoas mais necessitadas”.
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