Cyril Ramaphosa assume onda de violência mas diz que “sul-africanos não são xenófobos”

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reiterou esta sexta-feira (05), que “os sul-africanos não são xenófobos”, apesar dos recentes ataques xenófobos, em que morreram, pelo menos, nove cidadãos moçambicanos e quase 900 foram afectados pela violência em Mossel Bay.

Durante a visita do Presidente do Quénia, William Ruto, Cyril Ramaphosa anunciou o envio de emissários a outros países para abordar a questão da emigração.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, anunciou o envio de emissários para vários países africanos para reforçar o diálogo sobre a gestão da migração e responder às tensões no país. A situação foi abordada durante a visita do Presidente do Quénia, William Ruto, a Pretória.

“Os sul-africanos não são xenófobos. Os sul-africanos são africanos. Eles querem viver pacificamente com outros africanos e o nosso povo apela a nós, enquanto líderes, para resolvermos os muitos desafios associados à questão da migração. Como já referi, a África do Sul está a abordar esta questão”, declarou Cyril Ramaphosa, citado pela RFI.

O Presidente do Quénia, William Ruto, defendeu soluções continentais para reduzir a pressão migratória e promover o desenvolvimento económico em África.

“A resposta é garantir que existam serviços e oportunidades em todo o nosso continente, de modo a evitar alguns dos desafios que enfrentamos. Por isso, enquanto lidero a reforma da União Africana e das suas estruturas, procuro torná-la mais apta a cumprir os seus objectivos e a representar melhor a posição do nosso continente em questões de investimento e de acesso aos recursos necessários para o nosso desenvolvimento”, declarou.

As autoridades associam os protestos à campanha “March on March”, que exige a saída de imigrantes até uma data definida. A polícia sul-africana confirmou a morte de dois cidadãos moçambicanos em Mossel Bay, na sequência dos ataques ligados a estes protestos. O Governo moçambicano confirmou, na terça-feira, que o número de moçambicanos mortos no contexto dos ataques xenófobos na África do Sul subiu para nove e há quase 900 afectados em Mossel Bay.

Moçambique recebeu na terça-feira, através da fronteira de Ressano Garcia, 545 cidadãos repatriados da África do Sul na sequência dos ataques em Mossel Bay. Várias comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, no este do país.

Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com a morte de 18 pessoas estrangeiras, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique possui cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao País face à violência.

Esta quinta-feira (04), as autoridades sul-africanas confirmaram que quase mil moçambicanos deixaram o país, através da fronteira de Lebombo e Ressano Garcia, incluindo por deportação. De acordo com o director da Autoridade de Gestão de Fronteiras da África do Sul, Michael Masiapato, aquele órgão “processou com sucesso” a saída de 933 nacionais moçambicanos através daquele posto de fronteira, na província de Maputo, até 3 de Junho.

Estes cidadãos estão a chegar à fronteira de Ressano Garcia relatando vários mortos, alguns queimados, e momentos de terror, sobretudo em Mossel Bay, na província de Cabo Oriental, desde há uma semana.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário