Dúvidas e dívida de 493 Mil Milhões preocupam Banco de Moçambique

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique justificou as suas mais recentes decisões com base nas elevadas incertezas que pairam sobre as economias nacional e global. Para além disso, o agravamento do endividamento público interno, que atingiu o valor de 493,1 mil milhões de meticais, surge como uma das principais fontes de preocupação e de aumento da liquidez no sistema bancário.

O regulador demonstrou forte apreensão quanto à duração e à magnitude dos impactos de factores externos e internos, que continuam a agravar os riscos em torno das previsões económicas.

A nível internacional, persistem grandes dúvidas sobre a duração do conflito geopolítico no Médio Oriente. O banco central sublinha o receio de que esta instabilidade afecte seriamente a cadeia logística mundial, a oferta de bens essenciais e os preços internacionais do petróleo e dos alimentos.

No plano interno, as dúvidas centram-se na capacidade de reacção da economia do país perante choques recentes e pressões financeiras:

• As incertezas são grandes quanto à real magnitude dos efeitos indirectos que o aumento dos combustíveis terá na distribuição de mercadorias e no abastecimento local.

• Existe também forte indefinição sobre o ritmo necessário para repor a capacidade produtiva nacional, após o tecido económico ter sido fustigado por inundações no primeiro trimestre do ano.

• Subsistem apreensões ligadas ao agravamento do risco fiscal, motivadas principalmente pelas falhas e atrasos nos pagamentos de contratos devidos pelo próprio Estado.

O CPMO destacou que o endividamento público interno e os atrasados da dívida mantêm-se em níveis muito elevados, prejudicando o normal funcionamento do mercado financeiro. Excluindo os contratos de mútuo, locação e responsabilidades em mora, o stock da dívida pública interna fixou-se em exactamente 493,1 mil milhões de meticais. Este montante representa um crescimento substancial de 18,5 mil milhões de meticais comparativamente a Dezembro de 2025.

Existem sérias dúvidas sobre o impacto a longo prazo destes atrasos crónicos no pagamento da dívida pública interna e externa, que afectam tanto as instituições financeiras nacionais como os credores multilaterais. Estes incumprimentos alimentam incertezas no mercado e geram consequências directas, nomeadamente a fraca apetência por títulos públicos, a rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário e a degradação da avaliação do risco de Moçambique. Perante tantas variáveis imprevisíveis, a direcção futura da política económica moçambicana continuará totalmente dependente da evolução e da avaliação destas dúvidas.

Imagem: DR

 

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