A Frelimo, o partido no poder em Moçambique considera que a onda de ataques xenófobos cometidos por cidadãos sul-africanos contra africanos negros não reflecte a posição oficial do Governo sul-africano.
Segundo o secretário-geral da Frelimo, Chakil Aboobacar — em declarações aos jornalistas durante a recepção a Fikile Mbalula, o seu homólogo sul-africano do Congresso Nacional Africano (ANC) —, os governos de ambos os países estão a aprofundar o diálogo para aliviar as tensões.
“A imigração ilegal é um problema global e deve ser tratada como tal. As respostas a este fenómeno devem dar prioridade a mecanismos que promovam a coexistência e respeitem a dignidade humana. O Frelimo e o ANC manifestaram a sua oposição às atitudes xenófobas”, afirmou Aboobacar, citado pela AIM.
O alvo destes actos xenófobos tem sido os africanos negros, incluindo os moçambicanos. A discriminação contra cidadãos estrangeiros tem também conduzido a saques, deslocações, assédio e motins mortíferos em assentamentos informais.
Pelo menos nove cidadãos moçambicanos foram mortos na atual onda de discriminação, e pelo menos 874 cidadãos foram afectados numa escalada de violência “que está a levar centenas de pessoas a regressar ao País”.
Segundo Aboobacar, os actos de violência são promovidos por grupos específicos que agem contra os princípios dos direitos humanos e em contradição com a legislação sul-africana. “A situação deve ser acompanhada de perto para evitar criar tensão nas relações históricas de amizade e cooperação entre Moçambique e a África do Sul. Os nossos países estão a colaborar para encontrar soluções para os desafios associados à imigração ilegal”, afirmou.
Por seu lado, o secretário-geral do ANC afirmou que o seu Governo se opõe a qualquer perseguição xenófoba “porque tais tendências são desumanas”.
“Aceitamos que as pessoas protestem contra a imigração ilegal e os cartéis de droga; no entanto, temos sido muito claros ao afirmar que não apoiamos os ataques. O Presidente da África do Sul fez uma declaração pública há alguns dias, à qual se seguiram medidas concretas sobre esta questão”, afirmou Mbalula.
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