A onda de xenofobia que já causou pelo menos a morte de nove moçambicanos na vizinha África do Sul foi um dos temas abordados durante o encontro do Conselho de Ministros havido nesta terça-feira.
No encontro, o Governo moçambicano reafirmou, que continuará a privilegiar a via diplomática com a África do Sul para enfrentar a crescente onda de manifestações e actos de hostilidade contra imigrantes, rejeitando qualquer possibilidade de medidas de retaliação.
Falando à imprensa, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, sublinhou que a estratégia adoptada por Moçambique assenta em três pilares: proteger, assistir e integrar os cidadãos moçambicanos afectados pela actual situação na África do Sul.
“O espírito do Governo de Moçambique é um espírito de diálogo, de fraternidade e de solidariedade. Nós não vamos trazer intervenções de retaliação”, afirmou o ministro.
O porta-voz explicou ainda a existe de uma coordenação permanente entre as autoridades moçambicanas e sul-africanas para encontrar soluções que permitam travar os episódios de xenofobia e garantir a segurança dos cidadãos estrangeiros residentes na África do Sul.
O governante revelou ainda o envolvimento directo do Presidente da República, Daniel Chapo, nas diligências diplomáticas em curso, visando o reforço da cooperação bilateral sobre a matéria.
Sobre os mais de 700 cidadãos moçambicanos já regressados ao país, o ministro avançou que o Governo está agora a trabalhar na sua reintegração social e económica, procurando aproveitar as competências profissionais adquiridas durante a permanência naquele país.
“São jovens que têm competências, habilidades e conhecimentos. Vamos aproveitar esse conhecimento para facilitar a sua integração”, explicou.
Na ocasião, Ussene Isse apelou aos moçambicanos que pretendem emigrar para a África do Sul para que o façam através dos mecanismos legais, considerando que a situação migratória irregular aumenta a vulnerabilidade dos cidadãos.