Medida visa conferir mais espaço à produção local, reduzir custos operacionais das empresas e garantir preços mais acessíveis para o consumidor moçambicano
O Executivo moçambicano vai avançar, nos próximos dias, com novas medidas restritivas destinadas a desincentivar a importação de frango e de água mineral. A iniciativa estratégica tem como principal objectivo reforçar a protecção da indústria nacional e estimular o crescimento sustentável da produção interna.
A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio (SE), António Grispos, em entrevista ao “Notícias”. Segundo o governante, a decisão enquadra-se na estratégia governamental de substituição gradual das importações por produtos fabricados no país, à semelhança do que já acontece com os sectores da indústria cerâmica, tijoleira e, mais recentemente, do pão de forma.
O governante explicou que estes produtos constam da lista definida pelo Executivo no decreto que estabelece os mecanismos de controlo e racionalização das importações. O secretário de Estado assegurou que o mercado nacional já dispõe de capacidade suficiente, tanto em termos de quantidade como de qualidade, para responder à procura interna.
“Notámos que estes produtos existem em quantidades e qualidade suficientes no mercado nacional. Então, por que não promover o produto nacional?”, questionou António Grispos.
Para o SE, as medidas visam criar um ambiente favorável ao crescimento da indústria moçambicana, incentivando os empresários locais que apostam na produção interna e geram emprego. O responsável defendeu que a protecção do mercado constituem uma forma de valorizar os investimentos nacionais e fortalecer a economia.
“Nós temos que começar a acreditar que conseguimos fazer as coisas acontecerem dentro do nosso país. Devemos, também, proteger os empresários que tomam a dianteira, acreditam, investem e correm riscos apostando na indústria nacional”, sublinhou o secretário de Estado.
No que toca aos impactos esperados no mercado nacional, destaca-se em primeiro lugar o estímulo ao emprego, através do incentivo directo aos empresários locais para expansão e abertura de postos de trabalho. Além disso, prevê-se uma maior sustentabilidade industrial, uma vez que a redução dos custos operacionais devido ao ganho de escala na produção local vai fortalecer o sector.
Por fim, haverá um benefício directo ao consumidor com a tendência de baixa de preços a médio prazo, a par de uma maior independência alimentar, reduzindo a exposição do mercado a choques de preços internacionais.
Ademais, segundo Grispos, o principal beneficiário destas medidas será o próprio consumidor moçambicano. O Executivo sustenta que o aumento da produção nacional poderá reduzir os custos operacionais das empresas e, consequentemente, baixar os preços ao consumidor final.
“O preço é sempre uma questão fundamental e muitas vezes condiciona as nossas escolhas. Agora, imaginemos que ao lado do preço também temos qualidade. Está tudo alinhado para que o produto nacional tenha o espaço devido no nosso mercado”, referiu António Grispos.
O governante acrescentou ainda que o Governo entende que a melhor forma de estimular a indústria nacional não passa necessariamente pela injecção directa de recursos financeiros, mas pela protecção do mercado interno face à concorrência externa.
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