ICOR assinala 25 anos como referência em cuidados cardiovasculares em Moçambique

O Instituto do Coração (ICOR) assinalou, esta sexta-feira (05), os seus 25 anos de actividade com uma reunião científica dedicada ao percurso, impacto humanitário e desafios futuros da cardiologia em Moçambique.

Sob o lema “ICOR: 25 anos de história, ciência e humanidade”, a cerimónia reuniu especialistas nacionais e internacionais da área cardiovascular, investigadores e parceiros do sector da saúde, num momento que serviu igualmente para destacar os avanços alcançados pela instituição no tratamento de doenças cardíacas, investigação médica e capacitação técnica no País.

O evento serviu ainda para reflectir sobre a expansão do ICOR no quadro da cardiologia no País, a formação de profissionais de saúde, a inovação médica e o papel da Instituição no acesso de crianças vulneráveis a tratamentos cardíacos especializados.

Do sonho de auto-suficiência para uma referência nacional

Na ocasião, a directora-geral e fundadora do ICOR, Beatriz Ferreira, destacou os desafios e o trabalho desenvolvido ao longo destes 25 anos, lembrando que “o Instituto do Coração nasceu do sonho de tornar Moçambique auto-suficiente em cirurgia cardíaca e cardiologia de intervenção”. “Hoje, após mais de duas décadas, já realizamos milhares de cirurgias e formamos dezenas de especialistas nacionais. Cada criança operada, cada vida salva, é a prova de que investir em saúde cardiovascular é investir no futuro do País”, destacou ainda a mesma responsável.

Fundado em 2001 para proporcionar às crianças cardíacas moçambicanas de famílias economicamente desfavorecidas acesso gratuito a cirurgia cardíaca e cateterismo, Beatriz Ferreira explicou que o ICOR tornou-se, hoje em dia numa referência nacional na área cardiovascular, tendo realizado mais de 3000 cirurgias de coração aberto.

“Ao longo de 25 anos, a instituição consolidou um modelo que combina assistência humanitária, formação especializada, cooperação público-privada e investimento tecnológico, sustentando a actividade gratuita junto de crianças através da qualidade da medicina praticada e da prestação de serviços a adultos cardíacos e a outras áreas clínicas”.

De acordo com a responsável, numa lógica de sustentabilidade solidária, a actividade clínica desenvolvida junto de utentes pagantes tem vindo “a permitir financiar tratamentos gratuitos para crianças vulneráveis, bem como investir na formação de profissionais e na melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde”.

Expansão dos serviços cardiovasculares

Na ocasião, o ministro da Saúde, Ussene Isse, destacou no seu discurso de abertura a contribuição do ICOR, ao longo dos 25 anos de existência, na expansão do acesso a cuidados cardiológicos especializados em Moçambique, salientando que milhares de vidas foram salvas graças às cirurgias realizadas no País.

“Muitas crianças neste País beneficiaram destes procedimentos. E muitas delas carenciadas que não tinham meios para as pagar. Imagine o custo de uma operação destas nos Estados Unidos ou na Europa. Hoje, realizamo-las aqui, no nosso próprio País”, referiu.

O governante lembrou que a hipertensão arterial continua a ser o motivo de preocupação no País e a representar um desafio crescente para os sistemas de saúde. “Muitas vezes, as pessoas só tomam conhecimento da sua existência quando as complicações já se instalaram”.

Para o efeito, o ministro apelou a uma maior ênfase na prevenção e nos cuidados de saúde primários.

 

(Foto DR)

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