O Governo da província de Inhambane quer plantar um milhão de coqueiros até 2030 para travar o envelhecimento das plantações, combater os efeitos do Amarelecimento Letal e recuperar a produção de uma das culturas mais importantes da economia local.
A iniciativa visa travar o declínio gradual dos seus coqueirais e proteger uma das actividades económicas mais importantes para milhares de famílias.
Inhambane possui actualmente cerca de 16 milhões de coqueiros, sendo considerado o segundo maior pomar do País. No entanto, por detrás dos extensos coqueirais que se estendem ao longo da faixa costeira, escondem-se sinais cada vez mais evidentes de desgaste e declínio.
O problema começa na própria idade das plantas. Uma parte significativa dos coqueiros existentes já ultrapassou várias décadas de produção e aproxima-se do fim do seu ciclo produtivo. Segundo o governador de Inhambane, Francisco Pagula, cerca de 14% dos coqueiros existentes encontram-se numa fase avançada de envelhecimento, com idades compreendidas entre os 80 e os 100 anos.
Trata-se de árvores que continuam de pé e mantêm a sua imponência na paisagem, mas cuja capacidade de produção diminui progressivamente. Para as autoridades, esta realidade representa um dos maiores desafios para a sustentabilidade da cultura do coco na província.
Citado pelo Jornal “O País”, Francisco Pagula considera que a preocupação não deve ser vista apenas sob uma perspectiva agrícola ou económica. O governante defende que o coqueiro faz parte da história colectiva de Inhambane e está profundamente ligado à identidade das comunidades locais.
“Muitos dos coqueiros que actualmente produzem coco foram plantados por gerações anteriores, tornando-se um património que atravessou décadas e ajudou a sustentar milhares de famílias ao longo do tempo”, explicou o governante.
A situação torna-se ainda mais preocupante quando se junta ao envelhecimento das plantas o impacto do Amarelecimento Letal do Coqueiro. Dados apresentados pelo Governo Provincial indicam que mais de dois milhões de coqueiros estão actualmente afectados pela doença, considerada uma das mais destrutivas para esta cultura em Moçambique.
A enfermidade provoca o enfraquecimento gradual da planta até à sua morte, reduzindo significativamente a capacidade produtiva dos coqueirais e agravando a pressão sobre os produtores.
Segundo Pagula, o replantio de coqueiros deverá envolver comunidades, produtores e instituições públicas, assinalando que só este ano está prevista a plantação de cerca de 60 mil mudas.
(Foto DR)