O Banco Mundial poderá retomar brevemente o apoio directo ao Orçamento do Estado (OE) de Moçambique, marcando o desfecho positivo das negociações em curso entre o Governo e a instituição financeira internacional. A informação, avançada pelo jornal Notícias, surge após quase nove anos de suspensão deste mecanismo de financiamento, interrompido na sequência do escândalo das chamadas “dívidas não declaradas”.
Segundo a Ministra das Finanças, Carla Louveira, durante um recente encontro em Maputo com representantes do Banco Mundial, a retoma deste apoio directo está integrada num programa que visa garantir a sustentabilidade fiscal do país. Contudo, a concretização dos próximos passos continua dependente de reajustamentos macroeconómicos e fiscais por parte do Executivo moçambicano, bem como de garantias de sustentabilidade da dívida pública.
Esta aproximação ganhou um novo impulso na semana finda, durante a visita do Presidente da República, Daniel Chapo, aos Estados Unidos da América (EUA), onde foi reiterado o pedido de assistência financeira. O processo está a ser articulado em coordenação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que se encontra actualmente no país a realizar uma missão de balanço.
A recente parceria financeira formalizada entre Moçambique e o Banco Mundial prevê um pacote global de 10 mil milhões de dólares para o período de 2026–2031. Deste montante, seis mil milhões de dólares serão canalizados para o sector público e quatro mil milhões para o sector privado.
Para o presente ano de 2026, Moçambique enfrenta desafios orçamentais significativos. O Estado prevê uma despesa de 535,6 mil milhões de meticais, contra receitas próprias estimadas em apenas 421,9 mil milhões de meticais. Este cenário evidencia um défice de 113,6 mil milhões de meticais, cuja cobertura é essencial para assegurar o pleno funcionamento das instituições públicas e responder aos compromissos assumidos pelo país.
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