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Ossufo Momade é pressionado a explicar mais de 350 milhões de meticais

A liderança de Ossufo Momade na RENAMO está novamente sob forte contestação interna, com um grupo de membros a exigir esclarecimentos sobre a gestão financeira do partido durante os últimos cinco anos.

Segundo a publicação do Jornal Visão, cerca de 18 mil membros da RENAMO terão recorrido à Procuradoria-Geral da República para exigir a prestação de contas do actual presidente do partido.

A Comissão de Gestão da Crise da RENAMO acusa a liderança de alegada falta de transparência e estima que Ossufo Momade terá recebido, ao longo de cinco anos, mais de 350 milhões de meticais em recursos que, segundo os contestatários, estariam relacionados com valores destinados ao líder do segundo partido mais votado nas últimas eleições.

O grupo afirma que, para além desses recursos, a RENAMO dispõe de receitas provenientes das quotas pagas pelos seus membros, ofertas e donativos de parceiros, cuja gestão também pretende ver esclarecida.

Os contestatários questionam ainda a cobrança de contribuições aos membros para financiar a realização do Conselho Nacional, alegando que não existe transparência suficiente sobre a utilização desses fundos.

António Muchanga, citado pelo Jornal Visão, aponta a falta de prestação de contas e a ausência de convocação do Congresso Nacional entre as razões que levaram o grupo a recorrer às autoridades judiciais.

A Comissão de Gestão da Crise submeteu igualmente uma providência cautelar ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, através da qual pretende pressionar Ossufo Momade a convocar o Conselho Nacional da RENAMO.

A contestação à actual direcção da RENAMO estende-se também ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), que resultou da implementação do acordo de paz entre o Governo e a RENAMO.

Antigos guerrilheiros do partido defendem que parte dos desmobilizados continua a enfrentar condições de vida precárias e sem uma reintegração social e económica efectiva.

As novas acusações aumentam a pressão sobre Ossufo Momade numa altura em que diferentes sectores da RENAMO defendem mudanças na liderança e exigem a realização dos órgãos internos do partido.

A crise coloca novamente em debate o futuro da principal força histórica da oposição moçambicana e a necessidade de uma solução interna capaz de evitar um agravamento das divisões no seio da organização.

As acusações apresentadas pelos contestatários representam posições do grupo que questiona a liderança da RENAMO e não constituem, por si só, uma confirmação independente das alegadas irregularidades financeiras.

Imagem: DR

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