Tete: Funcionário do Hospital Provincial detido com mais de 58 mil medicamentos desviados do SNS

Uma operação conjunta da Polícia da República de Moçambique (PRM) culminou com a detenção de um funcionário do Hospital Provincial de Tete (HPT), surpreendido na posse de mais de 58 mil unidades de fármacos roubados do Sistema Nacional de Saúde (SNS). O suspeito usava a sua própria residência para comercializar os produtos e administrar tratamentos clandestinos.

A neutralização do indivíduo, identificado como Manuel Zeferino Supinho, de 47 anos, ocorreu na madrugada de 1 de Junho de 2026, no bairro Mateus Sansão Muthemba (Unidade Chicolodue), graças a uma denúncia anónima. A acção foi desencadeada ao abrigo do Plano Operativo Aspirina, uma iniciativa que visa estancar o desvio e a venda ilícita de medicamentos no país.

No momento da abordagem policial, o cenário confirmou as suspeitas das autoridades. O funcionário público não só vendia os fármacos na via pública, junto à sua casa, como também atendia vários cidadãos que recebiam tratamentos médicos de forma totalmente ilegal e sem nenhum controlo sanitário.

O lote de material apreendido possui um valor comercial estimado em centenas de milhares de meticais. Entre os produtos recuperados pela polícia constam lotes significativos de antibióticos, anti-inflamatórios, antimaláricos, anticoncepcionais, testes rápidos de diagnóstico, medicamentos injectáveis e diverso material médico-cirúrgico pertencente ao Estado, para além de 220 comprimidos de proveniência ainda desconhecida.

“Este desvio representa um prejuízo financeiro significativo para o Estado, mas o maior impacto é humano, pois retira medicamentos das prateleiras dos hospitais e compromete a assistência médica à população que mais precisa”, sublinha o relatório das autoridades.

Em reacção ao caso, o Serviço Provincial de Saúde (SPS) de Tete lançou um apelo veemente à comunidade para que evite comprar fármacos em mercados informais, residências particulares ou outros locais não autorizados por lei.

As autoridades lembram que estes produtos, além de serem fruto de roubo, perdem a garantia de qualidade, segurança e conservação adequada, colocando a vida dos doentes em risco acrescido. O SPS exorta a população a continuar a denunciar estas práticas criminosas às autoridades competentes, de modo a proteger os recursos do SNS e garantir que o tratamento chegue, com segurança, a quem realmente necessita nas unidades sanitárias.

Deixe um comentário