Ucrânia barra “Masha e o Urso” por alegada propaganda russa
A Ucrânia impôs sanções aos criadores e distribuidores de “Masha e o Urso”, o desenho animado infantil mais popular da Rússia, acusando esta série infantil, popular em todo o mundo, de difundir narrativas pró-russas sob o pretexto de entretenimento para crianças.
Segundo uma publicação da Euro News, as sanções incluem congelamento de bens e restrições à actividade comercial, bem como ao uso e distribuição de material protegido por direitos de autor na Ucrânia, permitindo limitar ou proibir o acesso a “Masha e o Urso” no YouTube e noutras plataformas.
O Kremlin condenou a decisão de Kiev na última sexta-feira (21). O porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, afirmou que a decisão de visar o programa infantil “mostra a fealdade do regime de Kiev”.
O que mostra “Masha e o Urso”
Inspirado de forma livre num conto popular russo, “Masha e o Urso” acompanha as aventuras de uma menina e de um urso de circo reformado que vivem na floresta.
Lançado pela primeira vez em 2009, foi entretanto traduzido em dezenas de línguas e conquistou uma vasta audiência internacional em mais de 100 países, no YouTube e em plataformas de streaming.
O sucesso é particularmente evidente no YouTube, onde os episódios somam milhares de milhões de visualizações. Um exemplo é o episódio “Receita de Desastre”, que se tornou um dos vídeos mais vistos da plataforma, com mais de 4,6 mil milhões de visualizações.
O enorme alcance do desenho animado tem também suscitado atenção crítica pelo uso de imagens militares russas e soviéticas numa programação dirigida a crianças em idade pré-escolar.
Num dos episódios, Masha surge com um chapéu associado ao NKVD, a polícia secreta e agência de segurança soviética. Durante a era de Joseph Stalin, o NKVD conduziu uma vasta campanha de terror político e foi responsável pela gestão dos gulags.
Noutro episódio, a menina aparece com o que parece ser um boné de tripulação de tanque e um uniforme da era soviética. As autoridades ucranianas defendem há anos que isto contribui para normalizar símbolos russos e soviéticos junto de públicos infantis.
Críticas para lá da Ucrânia
O debate entretanto ultrapassou as fronteiras da Ucrânia. Recentemente, mais de 50 deputados britânicos escreveram à ministra da Cultura britânica, Lisa Nandy, pedindo às plataformas de streaming que retirassem o desenho animado, alegando que alguns episódios expõem crianças a imagens militares russas e soviéticas.
Os parlamentares destacaram em particular imagens de Masha com roupa de inspiração militar, utilizadas também pela conta em inglês da Animaccord nas redes sociais. Defenderam que o material está “a normalizar ativamente a iconografia militar soviética junto de uma audiência global de crianças pequenas”.
A Animaccord rejeitou veementemente as acusações de que o programa serve de propaganda russa. A Ucrânia afirmou que vai procurar que os parceiros internacionais reflictam as mais recentes sanções, alargando potencialmente o seu impacto para lá do país.
(Foto DR)




