Zimbabué deporta 11 moçambicanos indocumentados
As autoridades zimbabueanas deportaram, esta sexta-feira (28), para Moçambique, 11 cidadãos moçambicanos, dos quais oito crianças e três adultos.
Dos três adultos, um é do sexo feminino e dois do sexo masculino. Um dos homens é deficiente físico e o outro possui deficiência visual. Os cidadãos foram deportados através da fronteira de Machipanda, no distrito de Manica, na província central do mesmo nome.
As crianças têm idades que variam entre 10 dias de vida e 17 anos, enquanto os adultos têm entre 24 e 36 anos de idade. Todos os cidadãos deportados são indocumentados e foram interpelados em diversas artérias da vila de Chipinge e da cidade de Mutare.
Segundo as autoridades zimbabueanas, os menores desenvolviam diversas actividades informais naquele país. As crianças mais novas encontravam-se na companhia de adultos com deficiência física e visual, que pediam esmolas pelas ruas. Os adolescentes exerciam actividades informais em algumas artérias da cidade de Mutare e da vila de Chipinge.
Outros menores viviam na rua por falta de abrigo, enquanto alguns trabalhavam para cidadãos zimbabueanos sem possuir documentos que comprovasse a legalidade da sua permanência naquele país. Presume-se que as crianças tenham entrado naquele país vizinho através de algumas regiões localizadas ao longo da linha de fronteira nos distritos de Manica e Sussundenga, na província de Manica.
Entretanto, uma equipa da Direcção Provincial de Migração e de outras instituições do Estado deslocou-se à fronteira de Machipanda para a recepção dos cidadãos deportados.
O porta-voz da Direcção Provincial de Migração em Manica, Abílio Mate, explicou que os cidadãos saíram de Moçambique usando a linha de fronteira nos distritos de Manica e Sussundenga. “Todos foram interpelados pelas ruas no Zimbabué. Constatamos que alguns vão para lá fazer negócio informal e praticar a mendicidade. Dois pais e encarregados de educação com deficiência física e visual preferiram levar os seus educandos para o Zimbabué para lhes servirem de guias pela cidade, enquanto pediam esmola”, explicou Abílio Mate, citado pela AIM.
“Quando são deportados, encaminhamo-los para as famílias, mas alguns regressam ao Zimbabué porque pensam que é um lugar melhor para exercer essas actividades”, acrescentou, referindo que a deportação destes cidadãos resulta de um trabalho desencadeado em coordenação com a contraparte zimbabueana, visando assegurar que as crianças e as pessoas com deficiência regressem ao país de origem em segurança e em boas condições de saúde.
“Elas estão protegidas desde que foram encontradas na rua no Zimbabué. Estávamos em permanente contacto com as autoridades zimbabueanas e, estando agora em território nacional, serão levadas até às suas famílias. Depois havemos de fazer o acompanhamento para evitar que viajem para qualquer outro país na situação de ilegais”, explicou.
João Timóteo, de 17 anos de idade, disse ser órfão de pais e ter saído de Moçambique para o Zimbabué à procura de melhores condições de vida. “Os meus pais perderam a vida. Eu estava a estudar, mas não consegui terminar o ano. Eu e os meus amigos conseguimos 1500 meticais e decidimos sair para o Zimbabué. Quando lá chegámos, começámos a vender ovos na rua. Depois passámos a lavar carros na rua. Vivíamos cinco pessoas na mesma casa”, contou João Timóteo.
(Foto DR)




