Adriano Nuvunga pede a Chapo para rever nomeação de Waldemar de Sousa no Banco de Moçambique devido ao seu passado
O activista de direitos humanos Adriano Nuvunga apelou ao Presidente da República, Daniel Chapo, para que reconsidere a nomeação de Waldemar Fernando de Sousa como Governador do Banco de Moçambique, alegando a existência de um processo relacionado com o caso das “Dívidas Ocultas”.
Num documento emitido esta terça-feira, 1 de Setembro , Nuvunga questiona a decisão presidencial e pede esclarecimentos sobre a situação processual de Waldemar de Sousa. Segundo a carta, o actual Governador do Banco de Moçambique teria sido acusado de alegadas infracções financeiras relacionadas com as “Dívidas Ocultas”, num processo que, de acordo com informação atribuída ao Tribunal Administrativo, continua em curso.
A questão surge um dia depois de o Presidente Daniel Chapo ter nomeado Waldemar de Sousa para substituir Rogério Zandamela na liderança do Banco de Moçambique. Felisberto Dinis Navalha foi nomeado Vice-Governador.
Na carta dirigida ao Chefe do Estado, Adriano Nuvunga reconhece que a presunção de inocência deve ser respeitada, mas defende que uma nomeação para um cargo de elevada responsabilidade pública deve obedecer a critérios rigorosos de integridade, idoneidade e confiança pública.
O activista questiona se a Presidência tinha conhecimento da acusação e se foram realizadas verificações de integridade antes da nomeação. Pergunta ainda se o Ministério Público e o Tribunal Administrativo foram consultados sobre a situação processual do novo governador.
A existência de um processo autónomo envolvendo Waldemar de Sousa no contexto das “Dívidas Ocultas” já foi reportada anteriormente. Fontes públicas identificaram o antigo administrador do Banco de Moçambique como arguido, juntamente com o antigo governador Ernesto Gove e a antiga administradora Joana Matsombe.
Em 2022, durante o julgamento principal das “Dívidas Ocultas”, Waldemar de Sousa chegou a ser retirado da lista de declarantes por estar a responder num processo relacionado, segundo informação divulgada na altura.
Pedido de transparência
Nuvunga pede ao Presidente da República que reconsidere a nomeação até que a situação processual de Waldemar de Sousa seja esclarecida publicamente.
Na mesma carta, solicita que o Tribunal Administrativo informe o país sobre o estado do processo e explique a razão da demora na sua tramitação.
A polémica coloca no centro do debate a questão da credibilidade e independência do Banco de Moçambique, numa altura em que Waldemar de Sousa assume a liderança da instituição responsável, entre outras funções, pela condução da política monetária e pela supervisão do sistema financeiro.
Imagem: DR




