Adriano Nuvunga pressiona Procuradoria pelo caso Elvino Dias e reage à condenação de 219 milhões

O director do Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD) garantiu que não vai recuar na “luta pelo povo”, criticou a rapidez do GCCC em arquivar as denúncias de corrupção eleitoral e agradeceu a onda de solidariedade dos moçambicanos.

Numa acção de forte pendor político e social, o activista e director do Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, deslocou-se à Procuradoria da Cidade de Maputo para exigir celeridade e o encaminhamento do processo do assassinato de Elvino Dias ao tribunal. A audição, que estava agendada para esta quinta-feira (4 de Junho), acabou por ser remarcada para a próxima semana devido a compromissos de última hora da Procuradora da Cidade.

À saída do edifício, Nuvunga não escondeu a sua indignação com o facto de o processo arrastar-se há 16 meses sem conhecer o devedor desfecho nas instâncias judiciais, apesar de, segundo o activista, terem sido entregues provas substanciais e nomes de suspeitos materiais e morais às autoridades.

“O processo sai da Procuradoria-Geral para a Procuradoria da Cidade, mas ele nunca vai para o tribunal. O SERNIC acolheu a nossa investigação, promoveu, mas a Procuradoria não está a levar o processo ao tribunal. É por que afinal que não está a levar? Queremos justiça às pessoas que mataram Elvino Dias”, instou Nuvunga, lembrando o ‘caso Anastácio Matavele’ como exemplo de que é no banco dos réus que a verdade vem ao de cima.

Interrogado sobre a recente decisão judicial que o condena ao pagamento de uma indemnização recorde de 219 milhões de meticais a Albino Forquilha, actual presidente do partido PODEMOS, por alegada difamação, Nuvunga foi categórico ao afirmar que manteria rigorosamente a mesma postura.

O activista reiterou as acusações de que as eleições gerais de 2024 foram “fraudulentas e corruptas”, sublinhando que a própria contestação popular a Forquilha já era visível nas redes sociais muito antes das suas declarações públicas.

O director do CDD lançou duras críticas à actuação das instituições de justiça, visando directamente o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC). “O Gabinete Central de Combate à Corrupção não fez o seu trabalho aqui; arquivou o processo em uma semana sem sequer ter ouvido o Forquilha. Que investigação é essa? Esse julgamento foi um julgamento político”, acusou, assegurando que a equipa de defesa vai recorrer da sentença por não concordar com a qualidade da decisão.

Perante a pesada fasquia financeira imposta pelo tribunal, Nuvunga revelou-se profundamente comovido com a campanha espontânea de recolha de fundos que os cidadãos moçambicanos iniciaram para o apoiar.

O activista partilhou um episódio marcante de uma cidadã que abdicou do pouco que tinha para contribuir com uma transferência electrónica. “Ontem, uma senhora mandou uma mensagem a confirmar que transferiu 7 meticais para mim. E lá eu conseguia ver que só tinha 7 meticais, e o que sobrou no M-Pesa da pessoa acho que foi 1 metical. De tão pouco que a pessoa tem, ainda conseguiu tirar um pouco para mim. Não tenho palavras para agradecer este gesto que vem das mamãs, dos pais, dos jovens de todo o país”, relatou visivelmente emocionado.

Nuvunga concluiu afirmando que se considera um “filho do povo” e que a condenação funciona, na verdade, como uma “coroa de doutoramento” na sua caminhada cívica. “O povo vai se reorganizar contribuindo um metical, um metical, para pagar ao Senhor Forquilha. A luta pela justiça eleitoral e pelo povo continua”, rematou.

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