A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) acusou publicamente o Governo de ocultar uma grave crise no Sistema Nacional de Saúde (SNS). Segundo a liderança da agremiação, existem evidências irrefutáveis da circulação e distribuição de medicamentos fora do prazo de validade em várias unidades sanitárias do país, bem como nos armazéns da Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM).
A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira, 01 de Maio pelo presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, que lamentou o actual cenário da saúde pública em Moçambique, afirmando que a população corre o risco de estar a receber “veneno além de cura”. O posicionamento surge como uma resposta directa às exigências do Executivo pela apresentação de factos que sustentassem as alegações da associação.
De acordo com Muchave, a APSUSM reuniu e entregou um dossier que inclui fotografias com datas de validade visíveis, vídeos de material médico vencido e denúncias com a indicação exacta das datas e das unidades sanitárias afectadas.
O dirigente apontou ainda falhas graves na cadeia de distribuição e conservação, sublinhando que há fármacos a serem transportados em camiões sem refrigeração pelas estradas do país, incluindo a Estrada Nacional Número Um (EN1).
”O que podemos provar com urgência é a vossa incompetência, a vossa inoperância e tentativa de manipulação popular. O Governo pede provas, nós damos provas”, vincou o presidente da associação, rejeitando as acusações de que a organização esteja a agir com base em alarmismos.
A APSUSM alertou que a situação tende a piorar a médio prazo. Segundo a organização, o Governo não terá efectuado o pagamento de medicamentos cuja entrega estava prevista para os próximos meses, o que poderá deixar a CMAM sem stock de segurança para responder às necessidades dos moçambicanos.
“A crise de colapso que está a doer hoje, daqui a 18 meses irá doer três vezes mais”, advertiu Anselmo Muchave, acusando o Executivo de tentar sacudir a responsabilidade e de criar entraves para culpar os profissionais de saúde pela degradação dos serviços públicos de cuidados médicos no país.
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