O Banco de Moçambique (BM) gastou um total de 300,9 milhões de meticais em remunerações e regalias para os seus nove administradores durante o exercício económico de 2025. O valor, revelado no mais recente relatório financeiro da instituição divulgado no final de maio, representa um aumento de 6,6 milhões de meticais quando comparado com os custos registados em 2024.
O montante foi integralmente canalizado para os membros que compõem o Conselho de Administração e o Conselho de Auditoria da instituição financeira central. Este crescimento nos pacotes salariais da liderança surge num momento particularmente sensível para a contabilidade do banco regulador.
O aumento dos gastos com os órgãos de gestão acontece em paralelo com uma forte deterioração das contas da instituição. O Banco de Moçambique fechou o ano de 2025 com um prejuízo líquido recorde de 13,34 mil milhões de meticais.
Este resultado agrava substancialmente o cenário que já se tinha verificado no ano anterior, no qual o banco central já havia acumulado um saldo negativo de 4,15 mil milhões de meticais.
Para além dos custos internos, as auditorias independentes realizadas pela Forviss Mazars apontam que a crise financeira do banco é severamente influenciada pelo incumprimento do Estado moçambicano. De acordo com o relatório, o governo não cumpre com as suas responsabilidades financeiras junto ao Banco Central desde 2005.
Actualmente, essa dívida acumulada do Estado já atinge a marca dos 121,98 mil milhões de meticais. O auditor alertou ainda que o Banco de Moçambique deixou de registar nas suas contas individuais e consolidadas os juros e rendimentos desta dívida, estimados em 27,7 mil milhões de meticais.
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