Moçambique continua altamente vulnerável aos choques económicos internacionais, ressentindo-se de forma severa com a escassez de divisas, com os elevados custos dos combustíveis e com uma acentuada dependência dos mercados externos. A leitura é do especialista aduaneiro Dixon Chongo, que alerta para a necessidade de o país abandonar as soluções de curto prazo e apostar em reformas estruturais de longo prazo para reverter o atual cenário.
Em declarações prestadas na última edição do programa Moçambique The Regional Gateway da MBC, Chongo sublinhou que, embora as crises internacionais sejam uma realidade incontornável, o verdadeiro obstáculo do país reside nas suas fragilidades internas. Segundo o especialista, o Executivo tem falhado na criação de infra-estruturas adequadas e no aproveitamento estratégico dos recursos naturais disponíveis para proteger o tecido económico nacional.
Para o analista, os indicadores de estabilidade macroeconómica e o nível das reservas internacionais geridas pelo Banco de Moçambique não podem ser apenas números abstratos; devem sim traduzir-se em benefícios concretos para o bolso dos cidadãos e para a sobrevivência das empresas locais.
Uma das principais críticas apontadas por Dixon Chongo prende-se com a gestão dos recursos energéticos, com particular destaque para o gás natural extraído na província de Inhambane. O especialista defende que a produção nacional devia ser prioritariamente canalizada para a satisfação do consumo interno, servindo de base para reduzir os custos dos combustíveis, mitigar a inflação e alavancar o processo de industrialização.
“Desde os anos que nós estamos a produzir o gás, e com a quantidade que estamos a produzir na província de Inhambane, o país não devia hoje estar a ressentir-se bastante com a situação do combustível”, apontou Chongo, reforçando que o planeamento económico deve focar-se primeiro no mercado doméstico e só depois na exportação.
A fechar, o especialista aduaneiro instou a classe política a alinhar o discurso oficial com as acções práticas no terreno, defendendo que uma “plataforma urgente” de reformas estruturais é o único caminho para que as futuras crises energéticas globais deixem de sufocar a economia moçambicana.