Estudo dos EUA coloca Marrocos no topo das potências mais promissoras de África

O Stimson Center, um prestigiado think tank norte-americano baseado em Washington, publicou um relatório que coloca Marrocos como um dos Estados mais estratégicos e promissores de África e do mundo árabe. O documento aponta que o reino magrebino está a consolidar-se como uma “potência média estratégica”, funcionando como uma ponte natural entre a Europa, a África e o Médio Oriente.

Segundo a análise divulgada na última sexta-feira, 15 de Maio, o país vive uma profunda transformação. Deixou de ser visto apenas como uma economia dependente do turismo e da agricultura para se firmar como um gigante industrial e logístico altamente competitivo.

Os analistas do Stimson Center destacam que as últimas duas décadas foram cruciais para a modernização de Marrocos. Hoje, o país destaca-se em sectores de ponta a nível global. O sector automóvel, por exemplo, é já um dos mais avançados do continente, registando avanços rápidos ao lado das indústrias aeroespacial, electrónica e de fabrico de baterias.

Na transição energética, o país assume a liderança regional em energia solar e eólica, com um foco ambicioso no hidrogénio verde. O complexo solar de Noor Ouarzazate é apontado pelo relatório como o grande símbolo desta revolução limpa. A par disso, o porto de Tânger Med tornou-se um dos maiores sucessos logísticos do país, posicionando-se como um dos portos mais eficientes do Mediterrâneo e de África para o comércio internacional.

Devido a esta estabilidade política e à proximidade geográfica com o mercado europeu, várias multinacionais escolheram Marrocos como a sua base estratégica para abastecer a Europa, a África e os Estados Unidos.

No xadrez geopolítico, o relatório descreve Marrocos como uma potência diplomática influente e um parceiro fiável no combate ao terrorismo e na segurança regional. O país tem expandido de forma assinalável a sua influência na África Subsariana através de investimentos robustos nos sectores bancário, de telecomunicações e seguros.

O documento aborda também a questão do Sahara Ocidental, considerando a iniciativa de autonomia proposta por Marrocos como a solução mais séria, credível, pragmática e realista para o conflito, que conta com a Argélia como parte integrante.

O apoio contínuo dos EUA à soberania marroquina e a mudança de postura de vários países europeus e africanos — que abriram consulados nas Províncias do Sul — são vistos como uma grande vitória diplomática de Rabat. Aquelas regiões do sul estão a beneficiar de investimentos massivos em estradas e portos atlânticos, transformando a costa numa plataforma comercial para a África Ocidental e facilitando o acesso ao mar para os países encravados do Sahel.

O grande trunfo de Marrocos, de acordo com o estudo, é a sua continuidade estratégica. Num continente e numa região muitas vezes fustigados por golpes de Estado e instabilidade política, as instituições marroquinas mantêm a coerência nas políticas públicas e no planeamento a longo prazo.
Com vastas reservas de fosfato, que são essenciais para os fertilizantes globais, e um forte potencial para tecnologias limpas, o Reino está posicionado para ser um dos actores mais influentes das próximas décadas.

O documento, intitulado “Relatório da Política Nacional de Marrocos – Analisando a evolução de Marrocos para uma potência média estratégica no meio da transformação económica, do stress climático e da competição geopolítica”, é da autoria de Lana Bleik, Hafed Al Ghwell e Yusuf Can. O Stimson Center, que celebra três décadas de existência, é conhecido pelo seu rigor académico em segurança e comércio global, desenvolvendo também pesquisas de campo em várias partes do mundo, incluindo Moçambique.

Imagem: DR

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