Internacional

EUA vão controlar Estreito de Ormuz e cobrar taxa de 20% sobre mercadorias, anuncia Donald Trump

Num desenvolvimento que ameaça agudizar a crise militar e comercial no Médio Oriente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta segunda-feira, 13 de Julho, que os Estados Unidos vão assumir o controlo total do estratégico Estreito de Ormuz.

Através da sua plataforma digital Truth Social, Trump autoproclamou os EUA como o “Guardião do Estreito de Ormuz” e avançou que passará a cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas que circularem pela região para cobrir os custos de segurança.

A tomada de posição surge numa altura de extrema volatilidade, logo após o colapso de uma trégua e de um acordo preliminar assinado em Junho entre Washington e Teerão. O Irão havia declarado recentemente o encerramento daquela rota marítima — essencial para o escoamento de um quinto do petróleo e gás mundial —, alegando a necessidade de travar “ingerências estrangeiras” depois de fortes investidas e bombardeamentos da aviação militar norte-americana contra infra-estruturas e radares em solo iraniano.

Desmentindo a eficácia do bloqueio anunciado pelas autoridades iranianas, Donald Trump garantiu que a navegação comercial internacional mantém-se fluida e desafiou abertamente o controlo tradicional de Teerão sobre a zona marítima.

“O Estreito de Ormuz está ABERTO, e continuará ABERTO, com ou sem o Irão. Estamos a repor o BLOQUEIO IRANIANO, assim baptizado porque apenas irá travar os navios do Irão ou os seus clientes de entrar ou sair”, escreveu o estadista norte-americano. Trump vincou ainda que todos os outros países continuarão a gozar de um uso “justo e aberto” da via navegável.

A grande novidade desta estratégia assenta na componente financeira exigida pela Casa Branca. Em entrevistas paralelas concedidas à imprensa norte-americana na manhã desta segunda-feira, Trump justificou a cobrança da taxa de 20% sobre as mercadorias alegando que os EUA têm protegido a estabilidade daquela região “de borla” durante as últimas décadas, enquanto outras nações enriquecem.

“Vamos vigiá-lo [o Estreito] e seremos pagos para o vigiar — muito dinheiro”, sublinhou o presidente, apontando que o processo de implementação desta nova taxa e da força de protecção militar vai arrancar de imediato.

Enquanto as forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) se reposicionam no Golfo para fazer valer a ordem de Washington, as autoridades do Irão reiteram que o Estreito de Ormuz está sob a sua jurisdição soberana, antevendo-se dias de grande incerteza e um perigo iminente de confrontação militar directa em alto-mar.

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