Internacional

África do Sul: Líder do movimento anti-imigração morre em Joanesburgo após passar cinco dias sob cuidados médicos

O activista Andile Somgxada foi vítima de uma emboscada armada na província de Gauteng. A organização denuncia que o crime está associado a ameaças de morte feitas por redes que extorquem imigrantes ilegais.

O clima de instabilidade social na África do Sul registou um novo agravamento com a confirmação da morte de Andile Mvuyelwa Somgxada, um dos principais rostos do movimento “March and March”. O líder comunitário não resistiu aos ferimentos graves após ter sido baleado à saída da sua residência em Greenfields, Ekurhuleni, na região metropolitana de Joanesburgo.

O ataque contra o activista ocorreu no passado dia 4 de Julho de 2026. Segundo uma nota oficial emitida pela direcção do movimento esta segunda-feira, 13 de Julho, Somgxada foi imediatamente socorrido e transferido para uma unidade sanitária local. O dirigente lutou pela vida durante cinco dias na sala de cuidados intensivos, mas o óbito acabou por ser declarado na passada quinta-feira, 9 de Julho.

A liderança do “March and March” vincula directamente este homicídio à actuação de máfias locais. De acordo com as denúncias, vários líderes do movimento anti-imigração vinham a receber avisos e ameaças de morte sistemáticas por parte de grupos criminosos que controlam redes de extorsão.

Estas redes, segundo o comunicado, dedicam-se à cobrança ilegal de “taxas de protecção” a cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular que gerem negócios informais nas periferias das grandes cidades sul-africanas. A actuação do movimento estaria a colidir com os interesses financeiros destas máfias.

A execução de Somgxada gerou uma forte onda de choque e o sentimento de insegurança já se espalhou para outras regiões da África do Sul. O movimento confirmou que o seu representante na zona de Tshwane recebeu mensagens intimidatórias logo após uma marcha realizada em Mamelodi.

Relatos semelhantes de coacção e perseguição contra activistas foram reportados no bairro de Umlazi, na província de KwaZulu-Natal, e também na província de Mpumalanga, uma região que faz fronteira directa com Moçambique e que acolhe milhares de trabalhadores migrantes da região da SADC.

Perante este cenário de elevada volatilidade, a direcção do “March and March” fez um apelo veemente ao pelouro da polícia e aos órgãos de administração da justiça sul-africanos para que investiguem o caso com celeridade. O grupo adverte que a impunidade poderá inflamar os ânimos nas bases e desencadear uma espiral de violência e confrontos imprevisíveis no seio das comunidades.

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