Internacional

Guiné-Bissau diz que Daniel Chapo deve fechar-se no palácio e combater o terrorismo em vez de espreitar vizinhos

O Conselho Nacional de Transição guineense emitiu um duro comunicado em reacção às palavras do Chefe de Estado moçambicano sobre o caso de Domingos Simões Pereira, classificando-as de “atrevimento” e apontando falhas na segurança interna de Moçambique.

O clima diplomático entre Maputo e Bissau registou uma escalada de tensão sem precedentes após a divulgação de um comunicado emitido pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) da República da Guiné-Bissau. No documento, datado de 17 de Julho de 2026, as autoridades guineenses manifestam um “profundo e categórico repúdio” perante as recentes declarações proferidas pelo Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo.

A fúria de Bissau surge em resposta ao posicionamento de Daniel Chapo durante a sua recente viagem a Portugal. Na ocasião, o estadista moçambicano quebrou o silêncio para condenar a detenção do líder político guineense Domingos Simões Pereira, criticando a actuação do poder judicial daquele país e sugerindo que a situação política local devia ser avaliada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo o CNT, Daniel Chapo cometeu um acto de “puro atrevimento e pretensiosismo” ao imiscuir-se em decisões soberanas da justiça guineense. O órgão de transição acusou formalmente o Presidente moçambicano de carecer de “estofo, legitimidade e autoridade moral” para tentar dar lições de democracia e moralidade ao exterior.

O comunicado adopta um tom de elevada agressividade retórica, resgatando inclusive episódios da tomada de posse de Daniel Chapo, na qual alega que o Presidente moçambicano sofreu uma “humilhação internacional” pelo boicote de vários Chefes de Estado da CPLP. Bissau recorda que, num momento de forte contestação popular em Moçambique, foi precisamente o Presidente da Guiné-Bissau quem estendeu a mão solidária ao homólogo em Maputo.

“Um governante que não consegue garantir a segurança, a ordem e a paz dos seus próprios cidadãos deveria ter a decência de se fechar no seu palácio e trabalhar, em vez de meter o nariz nos assuntos de um Estado soberano e estável como a Guiné-Bissau”, refere um dos extractos mais contundentes do documento.

Para além de rebater as críticas sobre o caso de Simões Pereira, as autoridades de Bissau desferiram duras críticas à situação securitária interna de Moçambique. O CNT sublinhou que o país africano se encontra fustigado pelo terrorismo e por uma guerrilha sangrenta que a actual administração moçambicana se tem mostrado incapaz de solucionar.

Até ao momento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique (MINEC) e a Presidência da República ainda não emitiram qualquer posicionamento oficial sobre o teor do documento emitido pela Guiné-Bissau.

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