Líder da ANAMOLA afirma que a fraude eleitoral é a coluna vertebral do diálogo nacional
O líder da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Venâncio Mondlane, diz que o Diálogo Nacional Inclusivo está a desviar-se da verdadeira origem da instabilidade política no país. Para o político, qualquer debate sincero de pacificação nacional deve ter como “coluna vertebral” o combate cerrado à fraude eleitoral.
“Toda a situação que surgiu neste país, que levou à instabilidade, é muito simples: chama-se verdade eleitoral.” Foi com este tom incisivo que o líder do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, interveio esta terça-feira, 14 de julho, na Escola Secundária Zedequias Manganhela, em Maputo, no âmbito do novo ciclo de audições públicas promovidas pela Comissão Técnica (COTE) para o Diálogo Nacional Inclusivo.
Perante a comissão e os cidadãos presentes, o principal rosto da contestação pós-eleitoral em Moçambique criticou o que considera ser uma tentativa de desviar o foco dos reais problemas que apoquentam a nação. Segundo Mondlane, a indignação popular e os protestos que arrastaram milhares de jovens para as ruas não se justificam com meras falhas técnicas, mas sim com a “fraude eleitoral” e com a manipulação sistemática da vontade expressa nas urnas pelos órgãos de administração eleitoral.
Durante a sua alocução, Mondlane apontou baterias contra as propostas que sugerem uma transição faseada para um modelo mais transparente, classificando de incompreensível a ideia de se implementarem reformas de forma “gradual”.
“Temos aqui escrito que deve haver introdução de reformas graduais para melhorar a transparência, eficácia e credibilidade do sistema eleitoral. Quer dizer… nós temos moçambicanos que não estão bons da cabeça”, fustigou o político, ironizando que tais ideias dão a entender que os cidadãos “não estão interessados em ter, de forma efectiva e imediata, a transparência eleitoral”.
O líder da ANAMOLA defendeu que a introdução de ferramentas tecnológicas modernas, como o apuramento de resultados online e em tempo real, além de uma despartidarização genuína da Comissão Nacional de Eleições (CNE), são medidas urgentes e não adiáveis para estancar a “lentidão, a manipulação e o adultério” da verdade eleitoral que ciclicamente mergulham o país em crises políticas e sociais.
As audições públicas promovidas pela COTE, que decorrem a nível nacional, visam recolher subsídios dos partidos políticos, sociedade civil e cidadãos para a elaboração de propostas normativas de reforma constitucional e legislativa, num esforço para restabelecer a estabilidade e a confiança nas instituições democráticas moçambicanas.
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