A província de Sofala foi o palco de avanços decisivos para o sector agrário nacional. Durante uma visita exploratória de três dias, o , Roberto Mito Albino, e o representante do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko, desenharam as linhas mestras para expandir a produção de alimentos e transformar o agronegócio através de uma abordagem focada nas cadeias de valor.
A comitiva, que integrou quadros técnicos do sector, visitou de perto várias infra-estruturas produtivas, empreendimentos agro-industriais e organizações de produtores locais para avaliar o real potencial da região.
Durante as auscultações, segundo avança a nota, o Ministro Roberto Mito Albino defendeu convictamente a urgência de pacotes financeiros mais acessíveis e de baixo custo para o campesinato e empresariado agrícola, como mecanismo essencial para alavancar os rendimentos e travar a dependência externa.
“A solução para reduzir a importação de alimentos passa por um maior investimento na produção. E temos de investir numa escala muito elevada. Quando o problema é grande, a solução também deve ser grande. É essa a nossa luta conjunta com o nosso parceiro aqui presente”, sublinhou o governante.
Esta acção no terreno surge no âmbito da preparação do Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor do Agronegócio de Moçambique (MozAgriBiz). Alinhado à nova iniciativa Agri-Connect, financiada pelo Banco Mundial, o programa assenta na atracção de investimento privado (prioritariamente nacional), na industrialização local e no aumento substancial da capacidade de processamento de alimentos no país.
O Ministro alertou, contudo, que o sucesso destas iniciativas vai depender crucialmente da capacidade de resposta e organização dos produtores assim que os fundos forem desembolsados.
Num dos momentos mais marcantes da governação aberta em Sofala, Roberto Mito Albino lançou um desafio directo ao Administrador do Distrito de Dondo: identificar novas terras fora da concessão da Açucareira de Mafambisse. O objectivo é audacioso: saltar dos actuais 2.000 para 10.000 hectares de área cultivada através de blocos produtivos.
“Um dos trabalhos que vamos deixar com o nosso administrador e com os líderes comunitários é identificar áreas boas para produção, aquelas que não estão a ser usadas, conversar com aqueles que têm os DUAT para nos ceder e colocar essa terra às mamãs, aos jovens, para poderem produzir comida e alimentar Moçambique”, instou o Ministro.
Por seu turno, Fily Sissoko tomou boa nota dos estrangulamentos apontados pelos produtores de Sofala, que vão desde a falta de diques, valas de drenagem e sistemas de irrigação, até ao acesso deficitário a sementes certificadas, fertilizantes e assistência técnica através da extensão agrária.
O representante do Banco Mundial garantiu celeridade na activação dos recursos, assegurando que o novo programa estará pronto a apoiar em grande escala até Setembro, mesmo antes do arranque da campanha agrária 2026/27, de modo a criar empregos e gerar novas oportunidades económicas para os moçambicanos.
Imagem: DR