Os moçambicanos estão fortemente insatisfeitos com a forma como o Governo gere os recursos naturais do país. De acordo com o mais recente inquérito do Afrobarometer, divulgado pela equipa da CS Research a 29 de Maio de 2026, a maioria dos cidadãos sente-se excluída dos benefícios e lamenta a falta de transparência no sector.
As conclusões do estudo indicam que 56% dos moçambicanos avaliam o desempenho do Executivo nesta área como “razoavelmente mau” ou “muito mau”. Apenas uma minoria acredita que o cidadão comum é quem colhe os frutos das riquezas nacionais.
O sentimento de que a riqueza do solo e do subsolo beneficia terceiros é generalizado. Quando questionados sobre quem mais se aproveita dos recursos naturais (como o gás, os minerais e as florestas), os inquiridos apontaram o dedo a três grupos principais:
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Investidores estrangeiros: 29%
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O Governo de Moçambique: 28%
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Altos dirigentes políticos: 19%
Em contrapartida, apenas 18% dos entrevistados acreditam que o povo moçambicano é o principal beneficiário da exploração destas provisões.
Existem, contudo, variações regionais interessantes nesta percepção: os residentes no Sul do país tendem a apontar mais os investidores estrangeiros (35%) como os grandes ganhadores, enquanto no Norte a percepção de benefício recai maioritariamente sobre o Governo (36%). Já no Centro, a visão é mais optimista, com 26% a afirmar que é o próprio povo quem mais ganha.
A exclusão das populações que vivem nas zonas de extração continua a ser um ponto crítico de contestação. O relatório revela que 74% dos moçambicanos estão “pouco” ou “nada satisfeitos” com o nível de participação das comunidades locais nos processos de exploração.
A par disso, a mesma percentagem (74%) critica fortemente o “apagão” de dados sobre o destino dos fundos públicos: os cidadãos dizem-se insatisfeitos com a quantidade de informação disponível sobre o uso do dinheiro gerado pelos recursos.
Esta insatisfação com a falta de transparência é ainda mais acentuada entre:
O inquérito foi conduzido em Moçambique pela CS Research entre Julho e Setembro de 2025, tendo ouvido uma amostra representativa de 1.200 cidadãos adultos em todo o território nacional. A margem de erro do estudo é de +/-3 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. O Afrobarometer é uma rede pan-africana de investigação que avalia a democracia e a qualidade de vida no continente desde 1999.
Imagem: DR