Moçambique vai financiar permanência das forças do Ruanda em Cabo Delgado, mas custos e prazos continuam em segredo

O Governo de Moçambique confirmou oficialmente que passa a custear as despesas das forças militares e de segurança do Ruanda no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. O anúncio põe fim às dúvidas sobre a continuidade das operações no terreno. Contudo, os montantes envolvidos e o período de permanência das tropas estrangeiras no país continuam sem ser revelados pelo Executivo.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do Governo moçambicano, Inocêncio Impissa, assumiu publicamente o desconhecimento em torno dos valores orçamentados e do tempo que o contingente de Kigali vai permanecer no solo pátrio.

“Não sei dos custos, não sei quanto tempo ficarão, mas os acordos vão clarificar nos próximos tempos sobre esta matéria”, declarou Inocêncio Impissa

A validação do novo modelo de cooperação surge na sequência de declarações recentes do ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe. Através da sua página na rede social “X”, o governante ruandês anunciou que Moçambique já garantiu o financiamento para a continuidade do destacamento das suas tropas. Olivier Nduhungirehe sublinhou que a colaboração entre os dois Governos tem sido bem-sucedida e continuará na mesma linha, dado que o trabalho das forças ruandesas é plenamente reconhecido pelo país irmão.

Apesar da confirmação de ambas as partes, Inocêncio Impissa não clarificou os contornos contratuais celebrados com Kigali nem os custos que asseguram esta operação militar. O porta-voz limitou-se a frisar que a prioridade imediata do Governo moçambicano é a protecção das populações e dos seus respectivos bens.

Segundo os argumentos avançados pelo Executivo, o desembolso do erário público para manter o exército ruandês justifica-se pela necessidade de dar mais tempo ao país. O Governo pretende aproveitar este período para continuar a reorganizar e capacitar as Forças de Defesa e Segurança nacionais de forma independente.

A presença das forças amigas em Cabo Delgado visa garantir espaço, tempo e recursos suficientes para que os militares moçambicanos estejam devidamente preparados para assumir a linha da frente quando os contingentes estrangeiros saírem. Os investimentos previstos nesta reestruturação interna focam-se essencialmente na melhoria da capacidade combativa, na aquisição de equipamentos modernos e no domínio de novas tecnologias de monitoria.

Imagem: DR

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