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Nampula registou mais de 500 casos de uniões prematuras em apenas seis meses

A província de Nampula registou, durante os primeiros seis meses do corrente ano, um total de 535 casos de uniões prematuras envolvendo crianças dos 15 aos 17 anos de idade.

A informação foi avançada esta quinta-feira (27), na cidade de Nampula durante o II Fórum Provincial de Líderes Comunitários, um evento que serviu para discutir sobre a problemática.

Em representação da Direcção provincial da Criança e Acção Social (DPGCAS), o Chefe do Departamento de Administração e Finanças, Luís Augusto, explicou que, no mesmo período, outras 182 crianças foram reintegradas nas suas famílias, 266 que voltaram à escola e 93 se encontram a receber apoio psicólogo.

“Os resultados apresentados durante 6 meses do ano em curso é uma demonstração clara que muito está a ser realizado ao nível de todos os distritos da província de Nampula, no entanto, persistem desafios,” disse Luís Augusto, citado pelo Ikweli, apelando o envolvimento de todos no combate a práticas que concorram para a violação dos direitos da rapariga.

Na ocasião, o Secretário Permanente do distrito de Nampula, Orlando Dias, assegurou que fortalecer as capacidades das lideranças comunitárias vai ajudar, de forma significativa, a reduzir as uniões prematuras.

“As uniões prematuras continuam a roubar o futuro das crianças, o lugar das raparigas é na escola, é urgente trazer o fim desta problemática embora seja desafiante. A união prematura é uma violação grave que aumenta a pobreza e compromete o desenvolvimento, daí que os líderes comunitários são chamados como principais autores para o combate cerrado das uniões prematuras porque nenhuma lei funciona por si apenas, é necessário o envolvimento de todos.”

Por sua vez, a oficial de programas e gestora regional da FDC (Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade) em Nampula, Clara Ferrão, recordou que as uniões prematuras revestem-se de consequências que prejudicam o futuro da rapariga.

“As uniões prematuras constituem uma grave ameaça aos direitos e o futuro das raparigas, pese embora em algum momento estejam a normalizar as uniões prematuras e esquecem-se o peso real na vida das raparigas. Quando nós estamos a falar das uniões prematuras é descrever conjuntos de situações como a violência física e psicológica que acontece com as crianças.”

No entanto, a FDC, em Nampula, destacou que durante o ano de 2024, registou 86 casos contra 70 casos de uniões prematuras em 2025. “Embora tenha se registado essa redução, ainda existe muito trabalho a ser feito, a liderança comunitária desempenha um papel fundamental na prevenção das uniões prematuras por estarem próximas das famílias, os líderes estão numa posição privilegiada para influenciar comportamentos e identificar situações de risco, também desencorajar práticas prejudiciais e encaminhar às autoridades de justiça.”

Os líderes comunitários, por sua vez, prometeram o envolvimento, denúncia e maior cooperação para o combate das uniões prematuras.

O II fórum de líderes comunitários é implementado pela FDC em parceria com as Nações Unidas, e espelha-se como um espaço de diálogo, troca de experiências entre as lideranças, sociedade civil, governo, instituições de ensino, órgãos de justiça e outros actores.

 

(Foto DR)

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