Governo apela ao reforço de medidas face à novas ameaças do fenómeno El Niño

O Governo recomenda o reforço das medidas de preparação para a seca nas regiões sul e centro do País, assim como das acções de prevenção de cheias e inundações na região norte face às previsões do fenómeno El Niño para a época chuvosa e ciclónica 2026-2027.

O apelo surge após o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) ter alertado na última sexta-feira (15) que Moçambique poderá enfrentar este ano um evento climático El Niño de forte intensidade, fenómeno que poderá influenciar significativamente o comportamento das chuvas e das temperaturas durante a época chuvosa 2026/2027.

Segundo o INAM, as projecções dos modelos climáticos globais indicam elevada probabilidade de formação do fenómeno, com tendência de prolongamento até ao início da segunda metade da próxima época chuvosa.

“Os impactos deverão variar por regiões do País. Nas regiões Sul e Centro prevê-se risco elevado de chuvas irregulares, com tendência abaixo do normal e temperaturas acima da média climatológica. Para a região Norte, as previsões apontam para maior probabilidade de ocorrência de chuvas regulares, com tendência acima do normal”, refere o INAM.

O instituto alerta que o fenómeno poderá afectar diversos sectores sociais, económicos e ambientais, com destaque para a agricultura, recursos hídricos, segurança alimentar e gestão de riscos de desastres naturais.

Face à nova ameaça, o Governo pediu para o reforço de medidas de prevenção, lembrando que mais de um milhão de pessoas foram afectadas por cheias, inundações, ciclones tropicais e surtos de cólera durante a época chuvosa e ciclónica 2025-2026.

Segundo o balanço apresentado pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, a época chuvosa foi marcada pela formação de 11 sistemas ciclónicos na região, dos quais seis evoluíram para ciclones tropicais e quatro atingiram a categoria de ciclones intensos.

O ciclone Jezani afectou a costa moçambicana nas províncias de Inhambane e Gaza. No total, 1 074 838 pessoas foram afectadas, correspondente a 39,6% do cenário previsto no Plano Anual de Contingência, que estimava cerca de 2,7 milhões de pessoas em risco. O Governo considera que o envolvimento das autoridades, comunidades, parceiros de cooperação e sociedade civil contribuiu para a redução dos impactos humanos.

Impissa explicou que dos 198 centros de acomodação abertos durante a época chuvosa, permanecem activos 22, acolhendo 4 618 pessoas na cidade e província de Maputo, bem como nas províncias de Gaza e Niassa.

 

(Foto DR)

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