A circulação rodoviária na Estrada Nacional Número Um (EN1), na zona de Ravene — que delimita os distritos de Jangamo e Inharrime, na província de Inhambane —, encontra-se totalmente paralisada desde o princípio da noite desta terça-feira. A revolta popular eclodiu após a detenção de cinco cidadãos locais, identificados como membros do partido ANAMOLA, numa operação conjunta entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a Polícia da República de Moçambique (PRM).
Para forçar a reposição da liberdade dos detidos, os manifestantes recorreram à imobilização de dois camiões de grande tonelagem mesmo no meio de uma “ponteca” local. Segundo relatos de testemunhas, a população desligou os motores das viaturas pesadas e retirou as chaves de ignição, criando uma barreira intransitável que impede o fluxo de viaturas nos dois sentidos da principal artéria rodoviária do país.
As autoridades policiais justificam as detenções com o alegado envolvimento dos visados num crime de assassinato ocorrido no distrito de Inharrime no ano de 2025. Contudo, a actuação do braço investigativo do Estado está a colher duras críticas por parte da liderança política da oposição.
O coordenador provincial da ANAMOLA em Inhambane, Elídio Cumbe, recorreu às redes sociais para denunciar o que considera ser uma violação dos procedimentos legais. De acordo com o dirigente, os cidadãos foram surpreendidos sem qualquer notificação prévia, numa política de “prender para investigar”. Cumbe apontou ainda incongruências na execução dos mandados, referindo que o documento ordenava o encaminhamento dos jovens para o Estabelecimento Penitenciário de Inharrime, mas estes acabaram transferidos para a Cadeia de Máxima Segurança (BO) na cidade de Inhambane.
O SERNIC em Inhambane já reagiu à tensão que se vive na região de Ravene, tendo prometido pronunciar-se publicamente e prestar todos os esclarecimentos em torno do caso no decorrer desta semana.
Imagem: DR