O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reconheceu fragilidades na gestão da imigração, numa altura em que vários cidadãos estrangeiros, incluindo moçambicanos, enfrentam ameaças e ataques xenófobos.
Num discurso transmitido pela televisão nacional, Ramaphosa apelou à união e rejeitou campanhas que alimentam sentimentos anti-imigração.
“Não nos deixaremos enganar nem influenciar por campanhas nas redes sociais que espalham desinformação, notícias falsas e mentiras sobre pessoas que estão no nosso país”, afirmou citado pela imprensa local.
O pronunciamento surge num contexto de crescente tensão social, com grupos anti-imigração a acusarem estrangeiros em situação irregular de contribuírem para o desemprego e para a sobrecarga dos serviços públicos.
O chefe de Estado sul-africano rejeitou essa narrativa, defendendo que os problemas económicos do país têm causas mais profundas. Ramaphosa admitiu, contudo, que existem falhas na forma como o Estado tem gerido os fluxos migratórios e garantiu que o Governo irá reforçar as acções de controlo fronteiriço e deportação de cidadãos sem documentação legal.
Apesar disso, advertiu que nenhuma pessoa ou grupo tem autoridade para actuar à margem da lei, sublinhando que apenas as instituições competentes podem intervir em casos de imigração ilegal.
A situação preocupa particularmente Moçambique. Recentemente, o Governo moçambicano reportou a morte de nove cidadãos nacionais em alegados ataques xenófobos registados na África do Sul.
Entretanto, diversos países africanos começaram a retirar os seus cidadãos do território sul-africano. O Gana já repatriou cerca de 300 nacionais, enquanto a Nigéria e o Malawi anunciaram medidas semelhantes.