Rituais de circuncisão tradicional matam 43 jovens na África do Sul
Um total de 43 jovens morreram, neste inverno, na África do Sul durante as tradicionais cerimónias de rituais de circuncisão que marcam a passagem para a vida adulta. Face à gravidade da situação, as autoridades sul-africanas detiveram 40 pessoas ligadas a estes casos, encerraram 58 escolas de iniciação ilegais e abriram 116 processos-crimes.
Segundo uma publicação da Rádio Moçambique, a província de Mpumalanga é a mais afectada pelo drama, registando 18 mortes, seguida de perto pelo Cabo Oriental, com 14 vítimas mortais. Os restantes óbitos foram distribuídos pelas províncias do Noroeste, Limpopo, Gauteng e Estado Livre.
O ministro sul-africano dos Assuntos Tradicionais, Velenkosini Hlabisa, defende que as famílias e a sociedade civil devem assumir um papel mais activo na protecção dos jovens.
“Queremos reforçar a responsabilidade dos pais. A decisão crucial sobre onde deixar o filho para este processo é deles. Um pai deve tomar a decisão certa, escolhendo um cirurgião tradicional credível e uma escola de iniciação com um bom historial, onde os rapazes entrem e saiam vivos”, afirmou o governante.
Hlabisa sublinhou ainda a necessidade de apoio comunitário em lares monoparentais. “Queremos responsabilizar os pais, mas também as comunidades. Há famílias onde os rapazes são criados por mulheres — mães solteiras que, por motivos culturais, não podem visitar as escolas de iniciação. Nesses casos, os irmãos, tios e homens mais velhos da comunidade devem ter um papel activo na monitorização, visitando a escola para acompanhar o progresso do jovem, sobretudo nos primeiros dez dias da época de iniciação.”
Na África do Sul, a iniciação tradicional é um ritual de passagem para a idade adulta praticado todos os anos por vários grupos étnicos na África do Sul, incluindo as comunidades Xhosa, Ndebele, Sotho e Venda. As cerimónias decorrem nas chamadas escolas de iniciação. Embora dezenas de milhares de jovens frequentem centros legalizados todos os anos, dezenas de adolescentes continuam a perder a vida anualmente nestes rituais.
Entretanto, as autoridades culpam cirurgiões tradicionais negligentes e a existência de escolas de iniciação ilegais, que chegam a realizar circuncisões com instrumentos não esterilizados. Para combater esta crise, foi aprovada recentemente uma nova lei no país que exige o licenciamento obrigatório destas escolas e proíbe terminantemente a circuncisão de menores de 18 anos.
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