Os transportadores de passageiros de longo curso, baseados no Terminal Inter-provincial da Junta, na cidade de Maputo, decidiram avançar por conta própria com o agravamento do preço das passagens para as províncias. A decisão ignora as directivas do Executivo e deixa os passageiros sem alternativas numa altura em que o custo de vida continua a sufocar o bolso dos moçambicanos.
Embora o Ministério dos Transportes e Logística, através do Secretário de Estado, garanta categoricamente que “não existe nenhuma tarifa nova” homologada pelo Governo, a realidade no terreno contraria o discurso oficial. Numa ronda efectuada pela equipa de reportagem da STV no maior terminal rodoviário do país, constatou-se que as novas tabelas de preços propostas pela Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) já entraram em vigor desde o passado dia 18 de Maio.
O cenário na Junta é de autêntico facto consumado. As tabelas com os novos preços estão não só afixadas no interior de vários autocarros, mas também visíveis nas próprias bilheteiras oficiais do terminal gerido pela Amotrans, expondo a falta de fiscalização e a impotência das autoridades.
Em termos práticos, quem viaja de Maputo para a região norte e centro do país está a pagar muito mais caro:
- Na rota Maputo–Nampula, o preço da passagem “disparou” dos anteriores 4 500 meticais para os actuais 6 000 meticais, registando um aumento substancial de 1 500 meticais.
- No trajecto Maputo–Pemba, a tarifa passou de 7 000 meticais para 8 500 meticais.
- Já na ligação Maputo–Lichinga, a viagem até à capital do Niassa sofreu o maior agravamento, passando de 6 000 meticais para 8 000 meticais.
- Para o percurso Maputo–Beira, os passageiros desembolsam agora 3 500 meticais, contra os 2 500 meticais cobrados anteriormente.
Até mesmo os destinos de curto e médio curso, como Zavala ou Maxixe, na província de Inhambane, sofreram reajustes que variam entre 300 a 500 meticais acima do preço legal.
Ouvidos pela mesma equipa, os passageiros expressaram total indignação com a situação, lamentando o facto de terem de arcar com os novos custos “desde que subiram as coisas”, sem que haja qualquer intervenção das entidades de tutela para travar a cobrança ilegal.
Do lado do Executivo, a posição mantém-se inalterada: qualquer aumento tarifário que não tenha sido publicado e homologado pelo Governo é estritamente ilegal. Contudo, enquanto persistem as contradições entre as promessas das autoridades e a dura realidade das paragens, o cidadão comum continua a ser obrigado a esvaziar os bolsos para poder viajar.
Imagem: DR