Venâncio Mondlane envia carta aberta a Daniel Chapo e denuncia mais de 450 casos de violência contra o partido ANAMOLA

O líder do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, remeteu formalmente uma carta aberta ao Presidente da República, Daniel Chapo. O documento, registado na Presidência da República com a referência VM/11/2026, expõe graves preocupações sobre a situação dos direitos humanos, a violência política e as ameaças ao Estado de Direito Democrático no país.

No texto, Mondlane refere que a iniciativa visa registar de forma fundamentada factos que mexem com a paz social e a estabilidade nacional. Apesar de reiterar a sua abertura para um diálogo construtivo, o político assume o papel de “rosto mais visível da oposição” e apresenta uma cronologia detalhada da repressão em Moçambique.

Segundo os dados apresentados nas páginas da carta, o ambiente de restrição às liberdades públicas agravou-se consideravelmente nos últimos anos. Mondlane evoca episódios marcantes, tais como a repressão policial nas marchas de homenagem ao músico Azagaia em Março de 2023. Também aponta o uso de munições reais e gás lacrimogéneo contra os protestos pós-eleitorais de Outubro de 2023. Soma-se a isso o assassinato do advogado Elvino Dias em Outubro de 2024 e a actuação da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), a quem atribui a responsabilidade pela morte de cerca de 400 cidadãos entre Outubro de 2024 e Março de 2025.

O líder da oposição destaca o que chama de “diálogo traído”, fazendo alusão aos encontros directos mantidos com o Chefe de Estado a 23 de Março e 20 de Maio de 2025. Embora tivessem acordado a cessação da violência, assistência médica aos feridos e indemnizações às famílias enlutadas, Mondlane critica as declarações posteriores de Daniel Chapo à CNN Portugal, onde o governante negou a existência de qualquer acordo. “Foi a mensagem de que o Estado desenterrava o machado de guerra contra o povo”, aponta a carta.

O ponto mais alarmante da denúncia, detalhado na carta, foca-se na perseguição directa aos membros do partido ANAMOLA. Entre Março de 2025 e Maio de 2026, a agremiação política diz ter registado mais de 450 casos de violência, que resultaram em 56 mortes.

Entre as vítimas mais recentes está Anselmo Abílio Vicente, Coordenador Político do Partido na Cidade de Chimoio, assassinado a 9 de Maio de 2026. Há também relatos de casas incendiadas na província de Tete pertenecentes a membros do partido. De acordo com o líder político, estas acções subiram de tom à medida que se aproxima a 1ª Convenção Nacional do ANAMOLA, agendada para os dias 20 a 22 de Junho de 2026.

Na reta final da missiva, Venâncio Mondlane exorta o Presidente da República, na qualidade de Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, a fazer cessar o que denomina de “carnificina”.

“Não procuramos conflito. Mas se o povo for coagido e ficar sem recurso legal, a história ensina que os povos privados de canais legítimos de participação e justiça tendem a procurar outras formas de resistência”, avisa Mondlane no encerramento da carta enviado nesta quinta-feira, 11 de Junho.

Até ao momento, a Presidência da República limitou-se a carimbar a recepção do documento na Secretaria Geral, não tendo emitido qualquer pronunciamento oficial sobre o teor das graves acusações avançadas pela oposição.

Imagem: DR

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