Venâncio Mondlane falha reunião do Conselho de Estado

O conselheiro de Estado enviou uma carta oficial à Presidência da República a justificar a sua ausência na sessão de quarta-feira, 10 de Junho, alegando compromissos políticos no estrangeiro.

Venâncio Mondlane, membro do Conselho de Estado, não vai participar na reunião do órgão consultivo presidencial agendada para amanhã, quarta-feira, 10 de Junho de 2026. A informação consta de uma carta oficial dirigida ao Presidente da República, Daniel Chapo, submetida e carimbada com o selo de recebido pelos serviços da presidência na manhã desta segunda-feira.

Na missiva com a referência 004/GP-MCE/2026, o político justifica a sua impossibilidade de comparência com uma “agenda política internacional previamente assumida” fora das fronteiras moçambicanas.

Segundo Mondlane, a sua missão no estrangeiro foca-se na “intercessão junto de diferentes actores da comunidade internacional sobre a situação política e de direitos humanos em Moçambique”.

No documento, o conselheiro de Estado assume um tom incisivo e aponta directamente para o que qualifica como uma crise marcada por “assassinatos, raptos, sequestros, prisões arbitrárias e da atroz perseguição contra os membros do partido ANAMOLA”.

O político sublinha que estes episódios violentos ocorrem “há mais de 1 ano, sem nenhuma intervenção das autoridades públicas nacionais para parar com essas atrocidades profundamente desumanas e antidemocráticas”.

Devido à complexidade dos compromissos assumidos além-fronteiras, Venâncio Mondlane refere que os trabalhos se vão prolongar para além da data da reunião, inviabilizando o seu regresso a Maputo em tempo útil para marcar presença no debate.

Apesar das duras críticas tecidas à actuação do Executivo e das autoridades públicas face à situação interna do país, o político lamentou a ausência forçada e fez questão de reiterar a sua “total consideração pelo papel e pela importância do Conselho de Estado no fortalecimento das instituições da República”.

Esta sessão do Conselho de Estado surge num momento de particular expectativa na arena política nacional, sendo esta a primeira grande ausência formalizada por Mondlane após as deliberações sobre o estatuto da sua imunidade no primeiro trimestre deste ano.

Imagem: DR

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