Xenofobia: Ramaphosa apela aos sul-africanos para não fazerem dos imigrantes de bodes expiatórios

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou esta terça-feira (16) aos sul-africanos para não fazerem dos imigrantes os bodes expiatórios dos seus problemas, referindo-se, nomeadamente, ao desemprego em massa e à criminalidade galopante que o país vive.

A África do Sul enfrenta, há vários meses, manifestações em todo o país exigindo a saída de imigrantes clandestinos, uma acção que tem vindo a ser associada à xenofobia.

“Alguns imputam os problemas do Governo actual, o desemprego, a criminalidade e a mediocridade dos serviços públicos aos cidadãos estrangeiros”, salientou o Presidente da África do Sul num discurso por ocasião do Dia da Juventude, que assinala o levantamento do Soweto em 16 de Junho de 1976.

“Se assumimos o desafio que representa a imigração ilegal, e mesmo enquanto tomamos medidas decisivas para enfrentá-lo, os nossos problemas são, essencialmente, os nossos próprios problemas, e temos a responsabilidade de os resolver nós mesmos”, declarou.

Na ocasião, o chefe de Estado lembrou que a taxa de desemprego juvenil atinge os 42%, em comparação com os 32% para toda a população activa, detalhando diante de “um público jovem as medidas tomadas pelo seu Governo para criar empregos” e apelando ao sector privado para oferecer aos jovens sem experiência profissional o seu primeiro emprego.

“Para enfrentar estes desafios, são necessárias soluções concretas, e não transformar as pessoas vulneráveis em bodes expiatórios”, acrescentou Ramaphosa.

No final da cerimónia, o chefe de Estado lançou um aviso “àqueles que fazem muito barulho sobre estas manifestações, parece que há realmente uma intenção de desestabilizar o país, e a mensagem é clara: não vamos permitir”.

Entretanto, o Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo) avançou esta terça-feira (16), que a comissão interssectorial do Governo, que esteve na África do Sul para acompanhar o evoluir da situação da xenofobia, concluiu a sua missão, tendo alcançado consensos com a contraparte sul-africana.

“Dos encontros realizados resultou o compromisso das autoridades sul-africanas de prestar assistência humanitária e apoio ao transporte dos cidadãos moçambicanos que decidam regressar voluntariamente ao País”, refere o Gabinfo.

Um dos corpos das vítimas registadas em Mossel Bay, província do Cabo Ocidental, já foi trasladado para Moçambique, enquanto decorrem os procedimentos necessários para a trasladação dos restantes cinco, quando no total nove moçambicanos morreram nesta última vaga de ataques xenófobos, informou o Governo.

 

(Foto DR)

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