Zimbabwe deporta 29 moçambicanos ilegais entre os quais menores e um cidadão com deficiência visual

O Posto de Travessia Rodoviária de Machipanda, na província de Manica, recebeu recentemente um grupo de 29 cidadãos moçambicanos que se encontravam em situação migratória irregular no vizinho Zimbabwe. A receção e assistência foram coordenadas por uma equipa multissectorial local, que integra os Serviços de Migração, a Direção Provincial de Género, Criança e Acção Social (DPGC), a Acção Social e a Procuradoria Provincial.

De acordo com as autoridades migratórias entrevistadas pela Miramar, os compatriotas foram interpelados em várias cidades zimbabweanas, nomeadamente Chipinge, Mutare e Harare, devido à falta de documentação legal para a sua permanência naquele país.

O perfil do grupo repatriado acendeu os alertas das autoridades moçambicanas para as redes de vulnerabilidade social. Todos os 29 cidadãos deportados são do sexo masculino, sendo que a esmagadora maioria, num total de 28 pessoas, é composta por adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos.

Nas ruas do Zimbabwe, a maior parte destes menores dedicava-se ao comércio informal de diversos produtos para garantir o sustento. O único adulto do grupo é um cidadão com deficiência visual, que contava com o auxílio de um dos menores para a prática da mendicidade nas cidades zimbabweanas onde foram interpelados.

As investigações preliminares indicam que os repatriados são maioritariamente oriundos das regiões de Chimoio, Manica, Dombe, Muxúngue e Chibabava.

Este caso não é isolado e expõe o fluxo migratório irregular contínuo em direção ao país vizinho. Trata-se já do segundo grupo massivo de moçambicanos deportados pelas autoridades do Zimbabwe desde o início deste ano. Num episódio recente e com contornos semelhantes, outros 39 cidadãos nacionais tinham sido igualmente repatriados através das mesmas vias fronteiriças.

Os serviços de assistência social continuam a trabalhar no terreno para garantir o devido encaminhamento, a reunificação familiar e o apoio psicossocial a estes cidadãos, com especial enfoque no acompanhamento dos menores de idade.

Imagem: DR

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