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Tribunal da Zambézia condena António Veloso a 24 anos de prisão pelo homicídio de Zarina Sumar

O Tribunal Judicial condenou, esta quarta-feira, 15 de Julho, o cidadão António Veloso a uma pena de 24 anos de prisão maior pelo homicídio qualificado de Zarina Sumar.

De acordo com informações avançadas pela Rádio Paz, o réu foi ainda sentenciado ao pagamento de uma indemnização fixada em dois milhões de meticais a favor da família da vítima, num caso que gerou forte comoção na província da Zambézia e em todo o país.

Durante a leitura da sentença, o juiz da causa, João Eusébio, considerou totalmente provado que o arguido provocou a morte da jovem por asfixia mecânica e sufocação directa. Após consumar o crime, Veloso ocultou o corpo da vítima lançando-o nas águas do rio Bons Sinais, em Quelimane.

Na ocasião, o magistrado repudio o acto e apelou à sociedade para que rejeite todas as formas de violência, privilegiando sempre a convivência pacífica. João Eusébio defendeu que os conflitos passionais ou sociais devem ser resolvidos pelas vias legais e nunca através de actos criminosos.

Após a leitura do acórdão, António Veloso optou pelo silêncio e não prestou quaisquer declarações aos órgãos de comunicação social presentes no local.

Em contrapartida, os familiares da vítima reagiram com um sentimento de justiça feita. O pai de Zarina, Sumar Abdul, declarou à imprensa estar satisfeito com o veredicto do tribunal, sublinhando que a condenação representa um passo crucial para a responsabilização do criminoso, embora tenha reconhecido que a moldura penal não apaga a dor profunda da perda da sua filha.

Por outro lado, a moldura penal não colheu consenso no seio da família do réu. A irmã do condenado contestou publicamente a sentença, afirmando que a família não concorda com a decisão judicial por entender que o processo ainda carecia de um melhor esclarecimento sobre as circunstâncias do crime.

O desfecho deste julgamento foi também acompanhado de perto por organizações que operam na protecção dos direitos humanos na Zambézia.

Érica Timane, representante da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), saudou o posicionamento do tribunal. Para a activista, esta condenação exemplar envia um sinal claro de combate à violência baseada no género (VBG) em Moçambique e reforça a urgência de se garantir a protecção integral dos direitos das mulheres e raparigas no país.

Imagem: DR

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