Mercado de capitais cresce em Moçambique mas sector de seguros mantém assimetrias regionais
Bolsa de Valores atinge marca histórica equivalente a quase trinta e um por cento do PIB nacional enquanto o sector segurador continua concentrado na capital e regista queda expressiva nos microsseguros.
O mercado segurador e de capitais em Moçambique encerrou o ano de 2025 com sinais mistos de crescimento e desafios estruturais importantes. De acordo com os dados oficiais do mais recente Relatório de Inclusão Financeira, a Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) e o sector de seguros registaram dinâmicas distintas, divididas entre a expansão de capital e a persistente concentração geográfica na zona sul do país.
No sector dos seguros, o mercado global registou um crescimento modesto de 3,5%. Apesar do desempenho positivo, a atividade seguradora continua altamente concentrada na Cidade de Maputo e focada nos ramos tradicionais de cobertura. Em sentido inverso, o microsseguro — apontado como uma das grandes ferramentas para a proteção financeira das populações de baixa renda — teve um desempenho fraco, recuando até representar apenas 1,2% do mercado total.
Por sua vez, o mercado de capitais moçambicano demonstrou uma evolução robusta na sua dimensão global. A capitalização bolsista da BVM cresceu cerca de 5%, alcançando a fasquia histórica de 221,9 mil milhões de meticais, o que representa 30,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Contudo, este crescimento no valor de mercado da bolsa de valores contrastou com a liquidez do dia-a-dia financeiro. O volume de transações de negócios na BVM sofreu um recuo de 29% em relação ao recorde histórico alcançado no ano anterior, fixando-se em 24,6 mil milhões de meticais. Este abrandamento nas negociações reflete um ano de maior retenção por parte dos investidores, apesar da valorização contínua dos ativos cotados na praça financeira nacional.
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