Adriano Nuvunga alerta para país “parado” dez dias após aumento dos combustíveis em Moçambique

Dez dias após a ARENE anunciar o agravamento do preço dos combustíveis, o ativista e director do Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), Prof. Adriano Nuvunga, dirigiu uma carta aberta ao Presidente da República expondo o cenário de “sufoco económico e social” que Moçambique enfrenta. A crise, que começou com o reajuste das tarifas, evoluiu para um desabastecimento crítico que está a paralisar sectores vitais, desde os transportes públicos até à pesca artesanal e agricultura de subsistência.

No documento emitido este domingo, 17 de maio de 2026, Nuvunga destaca que o problema ultrapassou a barreira dos preços históricos. O gasóleo, essencial para a produção e escoamento de produtos, registou uma subida expressiva de 45,5%, passando de 79,88 MT para 116,25 MT por litro, enquanto a gasolina fixou-se nos 93,86 MT. Contudo, nas principais cidades e zonas costeiras, o cenário actual é marcado por bombas vazias e longas filas de espera.

A falta de resposta estrutural por parte do Executivo está a gerar um efeito dominó na rotina dos cidadãos. De acordo com o alerta da sociedade civil, o transporte público reduziu drasticamente o número de viaturas em circulação, deixando trabalhadores e estudantes retidos ou condicionados a atrasos constantes nas paragens de “chapa”.

Nas zonas costeiras, os pescadores artesanais já abandonaram as saídas ao mar devido à impossibilidade de adquirir combustível para as embarcações. O cenário agrava-se no campo, onde tratores, sistemas de irrigação e unidades de agroprocessamento estão totalmente paralisados, sufocando a produção agrícola local e ameaçando directamente a segurança alimentar e a dignidade do país.

A reação governamental baseada na promessa de subsídios aos transportadores e na aquisição centralizada de autocarros foi classificada por Adriano Nuvunga como insuficiente e insustentável. O activista adverte que este formato de apoio temporário acarreta riscos sérios de alimentar expedientes de corrupção que beneficiam apenas as elites, falhando em aliviar o sofrimento diário e o custo de vida real das famílias.

A missiva termina com um forte apelo ao respeito institucional, exortando o Governo a romper o silêncio e a partilhar com clareza a real dimensão da crise de abastecimento, sob o aviso de que a falta de informação transparente apenas aprofunda a ansiedade social e a sensação de abandono na população moçambicana.

Imagem: DR

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