Um novo surto de ébola foi declarado na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo. Até agora, testes laboratoriais atribuíram quatro mortes ao vírus e foram registados 246 casos suspeitos, incluindo 65 óbitos. Os dados são do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência de saúde da União Africana.
Através de um comunicado divulgado na última sexta-feira (15), o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana, informou que “um surto de doença pelo vírus Ébola foi confirmado na província de Ituri”, no leste da RDC. Segundo a agência de saúde africana os resultados iniciais das análises “sugerem um vírus ébola não zairense”, sendo que a “estirpe zairense” é a única para a qual existem vacinas e tratamentos, “estando em curso a sequenciação para melhor caracterizar a estirpe” deste surto.
De acordo com uma publicação da RFI, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças precisou que os casos foram registados principalmente nas zonas de Mongwalu e Rwampara, na província de Ituri. A situação levou à convocação de “uma reunião de emergência de alto nível com a RDC, Uganda, Sudão do Sul e parceiros internacionais para reforçar a vigilância transfronteiriça e a luta contra a epidemia”.
A agência sanitária manifestou a sua “preocupação” quanto a um “risco elevado de propagação suplementar” por causa do contexto urbano e da insegurança na região, assim como devido à proximidade com o Uganda e o Sudão do Sul, um dos países mais pobres do mundo e também devastado pela guerra.
A RDC, também vizinha de Angola, teve outro surto de ébola entre Setembro e Dezembro do ano passado, que provocou 45 mortes e 64 casos na província do Kasai, no centro. Este é o 17.° surto desde que a doença foi identificada pela primeira vez no país em 1976. O surto de ébola mais mortífero na República Democrática do Congo aconteceu entre 2018 e 2020, quando morreram quase 2300 pessoas em 3500 casos.
O Vírus Ébola continua a ter taxas de letalidade que variam entre os 25% e os 90%, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta febre hemorrágica altamente contagiosa matou 15000 pessoas em África nos últimos 50 anos. O contágio ocorre por fluidos corporais e pelo contacto com sangue da pessoa infectada. Os principais sintomas são febre, vómitos, hemorragias e diarreia. O período de incubação é de dois a 21 dias.
Hoje, domingo (17), a OMS declarou uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado, face ao surto de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda.
De acordo com um comunicado divulgado pela OMS, o director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus determinou que o vírus “constitui uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII), mas não preenche os critérios para uma emergência pandémica”.
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