O Ministro do Interior, Paulo Chachine, esclareceu publicamente as circunstâncias que ditaram a morte de Humberto Sartori (também referenciado como Sartoni), gestor do conhecido complexo residencial Kaya Kwanga, na cidade de Maputo. Segundo o governante, o óbito do cidadão de origem italiana esteve directamente ligado ao seu estado debilitado de saúde e à recusa voluntária de ingerir alimentos após a sua detenção.
O pronunciamento foi feito à margem das celebrações dos 51 anos da Polícia da República de Moçambique (PRM), na Praça dos Heróis Moçambicanos. Questionado sobre o polémico caso que abalou o empresariado na capital, Chachine foi categórico ao afastar cenários de negligência ou violência institucional dentro do estabelecimento penitenciário de máxima segurança.
“É sabido e foi público que, quando o senhor Humberto Sartori foi para a cadeia, não comia. Fez uma greve de fome, recusa alimentar. E ele já vinha debilitado. Olhando para ele, tinha problemas de saúde. E se alguém tem problemas de saúde graves, como aparentava ter, e não se alimenta, é preciso contar com as consequências disso”, declarou o Ministro do Interior.
Humberto Sartori havia sido detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) numa operação que chocou os colaboradores do Kaya Kwanga. Sobre o gestor e os seus sócios recaíam fortes indícios da prática de crimes graves, incluindo o tráfico de estupefacientes, branqueamento de capitais, falsificação e uso de documentos falsos, além de fraude fiscal.
Durante o mesmo evento, Paulo Chachine aproveitou para desmistificar a onda de assassinatos que tem visado agentes da corporação policial nos últimos tempos, rejeitando qualquer correlação com o fenómeno dos raptos que fustiga as principais cidades do país.
O governante explicou que a redução dos casos de rapto resulta de um trabalho intenso e coordenado entre a PRM, o SERNIC e os restantes órgãos da administração da justiça, e pediu à sociedade que não alimente especulações que pretendam ligar a perda de vidas dos agentes da lei a estes crimes específicos.